10 de dezembro de 2013

Sobre a praia sopra um vento sem final. Segue, invisível, infinito, indivisível, moreno, meio quente meio frio, sobre as vagas sensações abrandadas pelo calor do sol. Sob o sol de dezembro tudo turva à linha do horizonte, o calor desenha miragens a distância e o desejo também. Sob o sol de dezembro, tudo está preguento, mole, grudado, um no outro, intenções indefinidas. O céu se desfaz em chuva à alegria das altas temperaturas, a insustentável leveza de um descanso a quarenta graus. Lembro-me perfeitamente do que são as férias, muito embora hoje a vida apresente uma nova versão delas, um tanto quanto menos eternas. Ainda, hoje penso mais coisas à vista do mar. Ousadias, desejos, mistérios, conquistas, amplas terras desprotegidas passeiam, ou correm, margeando as marolas, definindo o corpo e a paisagem urbana do oceano. As barracas e os guarda-sóis, de tão multiplicados, parecem naturais ao desejo de molhar as pernas de água e sal. Siris assustados! Moças em pé, sentadas, deitadas, de frente, de costas, com pernas cruzadas, descruzadas, rapazes deitados, em pé, de frente, de costas, sentados, com pernas cruzadas, descruzadas... crianças que não param! Tantos olhos as protegem de absolutamente tudo a que elas oferecem perigo. A vida, quanta, pode dar ali a chance de acontecer.

Um comentário:

  1. Gostei da estrutura, você usa aliteração, muitas vírgulas e repetições. Isso deu uma cadência diferente no texto, uma malemolência, lembra um dia de sol de verão na praia.

    ResponderExcluir