22 de novembro de 2010

O ponto final sem dois

Passou pela minha veia tortuosa, pela aglomeração dos meus coágulos de ódio todo o veneno que eu pude reter no meu sangue azul. Escorregou pelos meus dedos, que amam, o seu pescoço franzino, e a sua carne que eu já pensei em vender no mercado. Hoje nada me olha acima da copa das árvores, nenhum vulto, nenhum abutre que, pensando em voar, despencaria descuidado com uma corda no gogó que pretende masculino. Estou aqui para mimar o garoto que você já não pode ser. Para aceitar as suas violências e as suas brutalidades contra a minha personalidade aveludada. Eu estou aqui porque vendi minha alma por amor, porque o preço era de graça. Eu posso aceitar os seus socos e os seus pontapés, a sua virilidade mole e indesejável, a pobreza dos seus trejeitos, a raleza dos seus cabelos e a baixeza da sua classe social. Eu estou aqui por conta da primeira ratazana que eu vi, e tive pena. Estão rasgados em mim os músculos que se esticaram demais, algumas cartas de baralho e a minha memória que resolvi declarar rota.
Estou de tal forma desfeita das minhas mãos firmes que não sei o que estou, não estou nada, nem sou, e não penso. O meu coração, com todo esse esforço, se pudesse acelerar, aceleraria. Sinto o ar prender nos ventrículos, como se recusasse pulsar e continuar com essa aceitação letárgica cuja justificativa esqueço ao manter em mente - amar, enfim, tem o seu preço. Uma surpresa insuspirável.
Eu aceito que você traga os seus podres para a minha mesa e olhe para mim. Eu aceito que você me respire. Eu aceito que você erre, que você exagere e que você me esforce. E eu aceito, com a maior concessão que eu poderia fazer de mim, que você me toque. Está dito, não me peça para lhe relembrar.

O meridiano de Pasárgada

Quem dera fosse eu, mas não era. Eu não sou, eu touro ascendente escorpião, não sou, dentro das suas saias rodadas, os seus perrengues, os seus braços, os 24 anos de morte que você gostaria. As suas mentiras caíram, os seus rodeios, os seus olhos capitu, toda a literatura que inventou a sua cintura e o seu rímel, o seu pai malicioso e todo o tempo que estive um pedaço dentro de mim mesma. Toda a minha loucura foi perdida. Teria sido perdida já, em descobrir a impossibilidade das minhas mãos que não são ásperas, mas foi em apaixonar-me por outra pessoa que assustadoramente me desejava por inteiro. Eu pude ver, meu amor, tão maciçamente que chegava a ser estúpido, um desejo que tendo podido ser um rolo compressor, foi como massagem japonesa sobre as minhas costas femininas que não poderiam te ter por excelência. Meu homem e as suas veias largas caminharam do venoso para o arterial, e eu chorei quando percebi que te esquecia.
A minha sina se perdeu na tranquilidade de não ser. O meu desejo, exausto, se desfez na simplicidade do fim; e a minha paixão, a despeito da minha loucura e do meu fanatismo, da minha venda e de todas as minhas obsessões, apesar de uma dieta tão balanceada, me abriu mão. Como um fantasma sem dono, como um espírito mal formado, um karma excitado, um movimento ereto e estéril, já não lhe desejo entre os meus dedos pouco robustos, e a robusteza dos meus ossos que lhe desejavam por completo. Já não quero lhe machucar, lhe absorver, lhe deixar nua exposta na rua. Não lhe desejo, e não sei mais se queria.
E depois desse exagero morfológico, sintático, estético, bruto, não trocamos duas cartas de adeus. A sua ala de carnaval não deu tempo.

L2 sul - norte

E então pensou, vou me lembrar disto para sempre, e de fato lembrou, até que o Alzheimer chegou aos oitenta anos, e então treze de agosto de 2008 pôde descansar em paz.

20 de novembro de 2010

aí voce me pede pra meter mais e mais rápido, e fala que tá gozando, que eu to te fazendo gozar, e pede pra tirar, me abraça com espasmos, vários, e me beija

10 de novembro de 2010

E quando ela me acenava o lenço, era ridículo!, eu me sentia chacoalhado com leviandade.
04/08/10

5 de outubro de 2010

ô, pobre

tinha tudo para que a amasse, mas, graças a deus, faltava nela um caminho muito simples e essencial. fora isso, poderia ter tudo. mas parava, no tempo, na rua, na lanchonete, na festa, no subúrbio, parava dura na minha frente, um papel, frente e verso tão difíceis de se ler, brancos e manchados, e eu sentindo uma saudade louca do que nunca veio, meu pinto rijo, duro, machucado, louco para lhe meter corpo acima, adentro, metê-la abaixo. Mas era calma em ser violenta, e era, com olhos e mãos que não tocavam nada, e se pudessem me tocariam. Olhava meu pinto na mão, meus dedos vermelhos, a ferocidade do meu punho fechado com tudo dentro: me queria, sem delongas, mas não podia ter por tudo que já havia construído. Era um grande Medo, e não podia ir a lugar algum.

15 de setembro de 2010

crescer faz calar lá fora. um silêncio, uma retórica muda; dar-se bem vira não se dar, virar-se vira dar as costas e as costas, com dor, viram culpa sua. pilates não resolve nossa mudez desentendida. 'pilates não é pra acalmar', disse ela, e ela, o que sabe de calma? estar em paz significa, mais uma vez, abdicar da briga que você comprou pra saber achar-se, para saber quem é no meio de tanta areia suspensa, tanto vento no saara, pelo amor do outro, louco, insano, sem onde cair morto além das minhas mãos. e a briga que você compraria, tão robusta, tão erótica, os gritos que daria, os punhos fechados, as veias saltadas, você substitui por uma calma triste, tristinha, desentendida de si, sozinha de si, já quase sem razão de ser, caladinha, pra calma crescer em tristeza em você e você caminhar pro outro lado com discrição, mudo, mamãe não te entende. abaixar punhais, conversar com seus eletrodomésticos, que te entendem, que partilham seu dia a dia, sua arte, sua inquietude, suas vozes e seus amores, quaisquer que sejam. meu rádio antigo, encolhido, olha pra mim com uma piscada resignada, e se abaixa sob o móvel da sala, quietinho, entendido do mundo, das coisas.

4 de agosto de 2010

voltando lá atrás, trazendo à tona eu existir

Não é o que você pensa, o redemoinho dos sentimentos não é o preto e branco ou os vários tons de tudo que você resolve traçar. Suas verdades não são verdades, por mais que seus olhos, que pretendem não julgar, julguem. Nem sua naturalidade, madura, maciça e maturada, já velha, um tanto quanto passada, consegue enganar. Há tantas outras teias que você não pode conceber; como as mil e uma que não posso, a realidade na minha cabeça é capaz de costurar somente algumas, em sua linha lógica incompleta que você pensa pouco esforçada. E por mais que as escolhas digam muito, você escolhe vê-las no seu bom e velho espectro de pó, guardado, melancólico, martirizador e solitário.
Cá na Rua do Pão, meu amor por ti é precisamente o mesmo, e a minha necessidade, ah, se você soubesse dela... Não vá inventando os finais de todas as histórias.

1 de agosto de 2010

zodíaco em zonas

A possessividade do taurino, anuncio agora - e havia sangue -, se costura entre várias coisas que agora não quero nomear. Seu fanatismo, favoritismo, e vários ismos exagerados que põem algumas coisas a perder, ao menos a cabeça. A cabeça do taurino também, e com fumaça, buscando as mil razões para incômodos que só existem porque ele não está com a mão na coisa em si. A inveja também, e vários medos e dores, reais ou não reais, a construção da personalidade nas erratas controladas, e ser artista no nosso convívio...
[a terminar]

31 de julho de 2010

15 segundos para o pousar da mosca

Quando tudo está quieto, ou um ruído só entre os carros e as pessoas, o mundo se abafa até que eu termine minha fala com você, e então tudo faz sentido, e tudo é lindo, tudo é meu e eu gostaria que você fosse o fim da minha rua, a minha rota final até o final das minhas rotas, eu gostaria que você fosse o meu traçado e já de ter te encontrado em julho de 2010 acertei, e os meus poros inominados cumprem seus princípios entre o céu e a terra, e vão comigo para o nada em suspensão.

17 de julho de 2010

fica aqui comigo

O ridículo da ironia também é irônico, além de onipresente. Ficar sozinho quando todo mundo dorme pode ser um alívio. E eu fumo cigarros pra você, por ter me dado esse amor, por eu estar apaixonada, por ser simples nesse clima de frio fazer muita fumaça. eu queria poder | |. o escuro do futuro pode ser o que está dependendo de um pequeno momento puro de amor. eu tenho medo das pessoas que não conheço mas eu sinto falta de sentar num lugar com um desconhecido, contar coisas e ir embora. que vontade de fumar em paris..! vontade de fumar em paris, visitar pére lachaise com o beto e me cansar do francês dele. não sei, vontade de sentar num metrô e ficar vendo os metrôs passarem. vontade de ouvir chamada de aeroporto sem estar em um. lembrei de uma vez que fiquei em congonhas umas três horas sentada num banco. do banco pra livraria, pro café, pro banco, mas não lembro pra onde eu ia. pra onde era? eu estava com Tolkien no colo, mas eu não li muita coisa. eu ia pra onde, gente? estou rasgando o insufilme que protege o teclado. minha mãe que fez. penso se é possível começar uma conversa aleatória nesse momento com uma das meninas de salvador e ela não ser histérica. não por elas serem, mas pelo tempo que não nos falamos. Sei lá, só quero uma conversa com um conhecido próximo que já não conheço, sabe?, bem simples e calma. mas elas nunca foram calmas, só marininha. onde estará marina chagas? estou contando quantas mitocôndrias gasto no nervosismo de pensar na minha mãe me achar aqui agora. sendo que isso é besta, em especial se eu me comprometi a acordar cedo para poupar chateações. mas também é que ela me encontrar aqui - no computador 3h00 - me traz já uma chateação que o despertador de amanhã procurará evitar. 'eu acho, de graça, que você poderia se jogar' é uma frase bonita. imagina encontrar você dormindo agora e te surpreender com minha pele te abraçando pelas costas. imagina o quanto você me agarraria, daquele jeito bicho de pelúcia que você faz. e acordar no meio da madrugada com você e . jantar contigo café com pão. eu estou quase perto da hora de dormir. digo, eu estou perto da hora de dormir já. imagina se eu fosse me importar com a volta do velho amor. incrível, só te quero. é incrível. sinto sua falta. | |. fica aqui comigo.

16 de julho de 2010

Pensar no fim é uma síndrome

Pensar no fim é uma síndrome. Mas a cabeça que ela mantinha logo do lado da porta, imersa em formol, era feia demais. Algumas prateleiras acima, algumas outras olhavam pra mim, pra todos os lugares, um pouco confusas, deslocadas, soltas, descabeçadas. Ela me dizia, depois de ter fechado a porta atrás de si, o casaco sobre o sofá, um ar de conversa comum, que não é assim, a gente pensa livre, pensa solto, vai vivendo, pára de pensar no final, pára, que não faz bem e pode fazer mal, por mais que pra você pareça não fazer. É que pensar no fim cria umas barreiras sem que você veja, e aqueles formóis olhando pra mim, como que apontando pra mim, como se tudo tivesse assumido vida e estivesse me perguntando e aí, e aí, camarada, e aí? Tinha uma loira que devia ter sido bonita, agora era só um pouco desbotada, uma cara de nada, a tentativa de expressão de acaso, ou um pouco de sofrimento, eu não sei o que ela queria mostrar. Apontou brevemente para a porta com a cabeça - é lógico - mas eu não entendi, acho que era para o regulador de temperatura do apartamento. Enfim Julieta continuou falando sobre não dever perder tempo, entregar-se, cutucou sem querer a prateleira das cabeças, foi tirar um pó do vidro nomeado Caio, mas, enfim, acabou dizendo que eu não deveria me preocupar e que todo namoro deveria ser como quando tínhamos 10 anos e achávamos que iríamos casar.

30 de junho de 2010

?

É que eu não posso fazer filhos enquanto você está na casa de Aquário, eu lhe dizia com a cebola me fazendo chorar, aquele almoço lhe levando a crer que me sofria ter de esperar para fazer barriga, e ela crendo na sentimentalidade da minha faca mal amolada. É que com a sentimentalidade dos seus poros alcoolizados, a sinuca refletida nos seus olhos, os seus saltos em ângulo V da bebedeira de ontem à noite, eu pensava com a salada o que é que seríamos de nós três, enquanto eu não trabalhava e ia lá saber quem colocaria sorriso naquela cara de joelho. E eu fiquei pensando enquanto o eclipse não vinha e eu esperava a sombra da Terra, eu pensei no sonho de Goya, nalgumas plantas de Monet, eu pensei no monótono e eu fiz tanto sexo com aquela cebola dilacerada. Com o choro compulsivo, o Pixinguinha no canal da tv a cabo, agulhas de costura tão feias na sua mão e alguns animais de estimação, a sinuca refletida nos meus olhos, o tecido de feltro azul e algumas cartas, búzios, o caralho a quatro, a minha paixão, eu lhe entreguei o anel, sorriu, tudo faz tanto sentido, tudo pode ser eterno

23 de junho de 2010

Eu também, sentada aqui em cima, primeiro andar tranca na janela, não estou altiva como um parnasiano. Triste e um tanto quanto cansada, um tipo diferente de carência fica esbarrando no vidro, sem embaçar. é frio não por solidão, nem medo, nem desapego, nem nada, é frio por motivos esquisitos, talvez brasília no inverno e a insuficiência ou falta de paciência dos meus edredons que nunca param. Cair na armadilha é um pouco de fazer-se companhia. Alguns movimentos redondos e outros copos despropositados de um álcool que não vai fazer efeito. A terra e girar sem tontear. Ficar calado põe em dúvida o respirar. Quando tudo baixa, tudo pára, tudo vira mínimo e não sai fumaça de nenhum lugar a zero graus. Frios cinzas deixam tudo suspeito, mesmo o sol. Quatro quadrados, quatro quadrados, quatro quadrados. Camas altas te fazem se sentir uma criança. Não tocar os pés no chão faz sentir-se uma criança. Literal e metaforicamente. E o frio vira só uma besteira, um ventilador ligado, uma incapacidade estrutural, instrumental, da mesma forma que o bolero de ravel não pára.

22 de junho de 2010

a mulher que falava coisas

Tenho de você um medo que, se existisse, existiria. De que vá embora, que perca, que tropece, que eu permaneça sentada no bar enquanto você recolhe suas chaves e vai embora, que você permaneça sentada no bar enquanto eu recolho minhas chaves e vou embora. ..., do fim do amor por nada. Tenho medo da eternização do amor também. Terminar e voltar; tenho medo da hora do desfecho consensual, da sua pele dizendo adeus com choro, do rebuliço do enterro. O enterro é um rebuliço calado, como estar preso na própria cabeça e ser mudo, como Stela do Patrocínio muda. E eu tenho medo de sermos humanas e nos desentendermos, e daquele ponto que ainda não conhecemos em que concordamos em discordar, e que desconhecendo não sabemos se é essencial. Tenho medo das essencialidades que não descobrimos, e portanto não descobrimos. Ademais, tenho medo todos os dias de não ter medo nenhum; e não tenho.

13 de maio de 2010

27/04 potencialmente entendido em 13/05

tudo cresce e, somado ao burburinho dos aviões, a joaninha.

Minhas mãos, ser mulher só, os computadores alugados

Eu estou às voltas; meu vestido dança. De manhã a zona do quarto é a mesma da sala, e nenhum dos espelhos mostra o corpo inteiro a não ser o do corredor. Muito exposto. Tudo roto, as roupas todas sujas abrem a boca do cesto. Abrir a boca na sexta; de manhã e de noite, preguiça e pornografia, um quê de tesão e tédio, sem que a ordem justifique a grafia. As contas num quadrado. Sentada pelada como uma criança no meio da sala, o chão sujo, o armário das comidas também, e a fome dá tristeza. Como uma criança sem pai: um adulto com problemas. Virar mulher é para alguns o problema repetido do seguro estúpido. Todas as coisas podem ser estupidificantes. Mas, quieta, sente falta do amante em rodas. Só a lataria prata entende, e a solidão é fria como a partilha impossível. São engraçadas a roupa suja, a digital na porta e dois molhos de chaves distintos. Várias contas e uma espera de super heroísmo. A menina nem gosta das próprias calcinhas. A solidão é um êxtase velado. Uma demência de mulher madura. Uma loucura de sanidade sanitária. Meu banheiro está sujo. Minha mãe e meu pai. E de todas as coisas, quero tempo para fazer as sobrancelhas. Sou uma menina.

26 de abril de 2010

Minc Nível Médio

que definhe com o tempo
diz que o tempo definha
então quem sou eu além de poeira e cimento
suspensa no ar no tempo errado do vento?
(correr a pé ao invés de voar
é então como correr sozinha.)

Sonata ao Luar

Com calma entendi que não chegaria lá. Fui fazendo de tudo, e à medida que o braço ganhava mais centímetros e quase se descolava do ombro, fui percebendo que o stress da articulação já tinha atestado a vontade. Toda a minha preocupação, faz sentido, não tinha uma bola de cristal. Oceanografia prática me fez ver que há lodo lá no fundo, misturado às feofíceas escondidas, cobrindo as rodofíceas do que parece ser um amor morto. Meu escafandro colorido de cobre não cobre nada, e eu, sentada no fundo, espero que, levantando do substrato desse chão frio, você se sente na minha frente, como uma múmia que se ergue do sarcófago, como um zumbi, como cleópatra triste. Você é uma cleópatra triste. Eu te tenho todo o tempo do mundo, mas seu mundo, enquanto deitado sob esse lodo gelado, pode ser que não levante. Você é como os dinossauros do McDonalds que brilhavam no escuro. Você é como a antiga rodinha do meu hamster, meu pião na caixa de brinquedos, meu carrinho de fricção quebrado e todas essas coisas quentes que já esfriaram. A sua morte existe dentro, e eu percebi, nesse assomo de tristeza e calma, que eu não posso fazer nada. Movimentar-me à superfície carregando seu corpo não fere, movimentar-me à superfície carregando seu corpo te fere, como os suicidas que teriam conseguido o fim se alguém não tivesse entrado no apartamento. Então, daqui, contemplativa, fico olhando seu continuado fim. Como um kit de sobrevivência, pego livros de pintura e talvez um bicho de pelúcia; alguma coisa sua com a qual não me identifique, pra entender o porquê de lhe deixar só brincar quando quer. Eu sinto sua falta, é óbvio, mas, com todo o respeito aqui do silêncio do alto do meu monte, vejo mais do que se estivesse no turbilhão da cidade, a exemplo de Caeiro, porque meu monte é mais alto do que meu arranha-céu. E eu não quero que nenhum barulho mais arranhe a quietude do seu sofrimento inexorável.

24 de abril de 2010

Lendo posts antigos

É muito engraçado que o presente se torne passado.

22 de abril de 2010

excerto de 'acima'

(...)
e eu insisto porque eu acho possível,
mas eu preciso
(muito)
de você.

19 de abril de 2010

o quê?

de alguma forma eu espero que você perceba que eu estou rindo porque, se não, o quê eu vou fazer?

15 de abril de 2010

porque é assim

eu posso me repetir e eu posso escrever muito com três posts num dia. eu posso, eu não sei, ser boa também, na caneca que quebrou no aeroporto, no meu deslize da queda da mala, e meu pai que quereria tanto tê-la ganho, aquele acerto estético exagerado. é que meu pai é baiano e se eu soubesse do amor tão grande nessa época, teria ficado em portugal mais um dia, mas só um, porque não aguentaria mais, e fiquei muitos. minha mãe também, com aquele cabelo diferente do que era, podia deixar de deitar no meu lado no dia do choro compulsivo da morte do rodrigo, porque hoje quando eu choro, no dia seguinte ainda tenho que limpar a casa, e ninguém limpa, ninguém vem, ninguém visita. o drama é um exagero, mas se rebecca se sentasse no meu colo, a saudade seria menor de dar quem eu sou. eu dou, à rebecca, quem sou. aos outros espero que tirem.

nossa, que foda

não sei lhe dizer porque te quis em primeiro lugar. gostava, com exagero, de precisar e de não ter, que me alimentava a insegurança de não ser querida. precisava sem cuidado ser jogada e ser feia, precisava estar na sombra, no escuro, precisava que precisassem. e então quando te tive, pude separar da pele a camada de silicone seca que me deixava não te tocar, e quando tirei, já não te queria. a minha pele imaculada e a minha virgindade conceitual eram como um quadro raro, talvez secreto, da medusa louca de géricault, aquele barco que, até hoje parado, acho que nunca afunda: géricault não tem pressa, nem calma, de sufocar o mundo. quando estive nua foi quando vi na rua o homem do saco. estive nua antes que ele viesse, e quando veio, me pareceu... me deu medo. a razão pela qual fico bêbada é tão simples que me valia não ficar; e me valia não ficar sozinha. a razão de se ficar bêbada é que seu cheiro me sai pela ponta dos dedos, gruda em papel, na tela, gruda no vidro do carro como o embaçado de respiração e frio. sua respiração é você me deixando, sou eu te deixando porque você quer que eu seja sua mulher, e eu sou o caminho entre a sua solidão e o mundo, entre a sua solidão e o lixo. eu sou o sexo que te rouba. e você é como a lavadeira lá de casa. eu sou como o pinto que você viu, deitado na sua frente, no conhecimento contemplativo de não tocar e não querer. eu não aguento a ausência da sua pele imposta. como um mundo entre a esquisitisse suave do lençol e a incompreensibilidade da sua pele, eu te olho como se da sua barriga não viesse a quentura de todo o meu corpo. porque como um forno à lenha você não tem nada dentro a não ser que coloquem, e quando te coloco dentro e você arranha as paredes do meu quarto, muito pouco eu preciso que você me faça gozar de novo. o seu corpo são as minhas mãos em algo que desconheço.

O zero

Toquei-lhe. E como se não soubesse das possibilidades de erro, continuava com a mão em cima do seu colo, do seu braço, da sua pele fina, de tudo que sabia esconder, porque sabia. Como se fosse cuidadosa, amei-lhe com os sentidos todos rotos, dei de mim o que já não segurava, e quando a paixão veio, porque viria, nem mais paixão se identificava, era uma massa disforme e sem dono. Quando, então, reconheceu-se a dependência, já não havia amor, e nenhum objetivo foi alcançado na obsessão de perder a identidade, e ela, perdida, era só uma pessoa a mais e a menos no mundo. Sem identidade, o amor era nada; e era mesmo.

8 de abril de 2010

desconstruindo caetano e beatles, como com violão e álcool em fim de festa

Your head breaks, your heartaches, You find that all her words of blindness linger on, When she no longer needs you.
She breaks up, she makes up, She takes her time and doesnt feel she has to hurry, She no longer feeds you.
And in her eyes you see nothing, No sign of tears behind the love felt for no one, A love that should be spent in beers.
You want her, you teach her, And yet you don't believe it When she says she loves you mad, You think she tricks you.
And in her eyes you feel nothing, No sign of love behind the years killed for no one, A kill that should have made you dear.
She stays home, she goes out, You say that long ago she knew someone but now She's gone, she no longer needs him.
Your mind breaks, your tooth aches, There will be times when all the tears she shed will dry your bread, You wont forgive her.
And in her eyes you see nothing, No sign of fool behind the tears cried for no one, A love that should have lasted years.

3 de abril de 2010

um rasgo

eu quero ser sua primeira alguma coisa, porque i want it all, i want it all, give me your heart and your soul, não me basta te olhar, eu quero te ter comida, te comer, e que você sinta arder por detrás da cabeça a vontade do meu sexo, e o subjugo da sua vontade aos meus pés. Sexo não é uma coisa bonita. Eu sou egoísta, eu quero rasgar suas cartas, seus papéis, sua privacidade, seu ego, lhe cortar a cabeça com qualquer coisa pesada, roubar sua carteira, despejar suas roupas, eu quero rasgar seus cadernos e que você vá para minha casa dormir ao pé da minha cama. Se ao menos isso se fizesse verdade em algum momento.. eu quero deitar nos seus braços com o poder sobre a minha vontade fugido de mim, espalhado sobre o teu peito, nas tuas mãos sem me tocar.

2 de abril de 2010

O

Eu fazia dela um ovinho nas mãos, e, eu não sei se você se lembra, eu sou um coelho. E com uma pele de veludo que sabe amar, aprendeu a amar, e sorrio como se passasse a lateral do rosto em alguma coisa com mais carinho do que já me foi possível. Como gostar é aprender, e ir gostando é ir conhecendo, a coisa toda roda como um redemoinho, um tornado, um vaso sanitário. A chave na fechadura, fechar uma garrafa, ligar o carro, dar corda, laçar um boi, abrir a torneira, olhar o microondas. Sem tontura, sem vômito, virar-se de costas para dar de quatro. Não sei porque estou falando em círculos.

30 de março de 2010

é dó

Incorrespondida, seu véu no casamento era vermelho.

17 de março de 2010

música popular brasileira

Eu nasci porque eu precisava. E sentada aqui em casa eu fico ouvindo músicas para que me injetem subjetividade e eu possa escrever. Várias coisas doces, eu agora sou doce, e eu sou uma pessoa bem simples, eu mostro meus incômodos e eu não vou se não quero, mas eu quero ainda muita coisa pertinho de mim. Eu quero por exemplo a Rebecca bem pertinho, bem pertinho mesmo, porque tem um gosto de casa inacreditável e, enfim, é a Rebecca. E quero McDonalds em dias bem aleatórios, mesmo que desgoste do sabor. Quero tocar violão porque é bem bom, e ele dorme junto comigo no meu quarto. Tem outra coisa que dorme no meu quarto também, vira e mexe, e devia poder vir mais, mas essas coisas não se decidem assim. Tem água dentro e fora da geladeira, tem café também, e meu computador tem uma internet bem rápida. Mariana Duarte dá aconchego, Roberto Murilo desperta do sono e Tássia é bom para dormir e estar acordada. O Flamengo está perdendo no momento e o Rio de Janeiro é sempre mais quente que Brasília. As coisas são bem simples, vê, nada mudou, absolutamente nada, eu estou mais decididinha e madurinha, eu diria, mas os amores de antes eu ainda durmo agarrada feito ursinhos, ou o travesseiro entre as minhas pernas, e o novo gosta de pôr o peso nas minhas costas, sem metáfora.

13 de março de 2010

[somando coisas diferentes(?)]

tem umas coisas tão lindas, e quando você está à vontade, você quer ficar

8 de março de 2010

deu três batidas com os nós dos dedos no fundo falso da caixa de cds, que não sabia que era falso, nem percebeu,

6 de março de 2010

be blasé

Me cansa quando estou cansada. E eu não consigo mais nem correntemente escrever. As coisas não vão, e eu me canso de viver sempre no mesmo lugar. Estou tão diferente e não sei assumir que por vezes estou em lugares completamente absurdos. E não vou embora por causa de um amor que não sinto. Fico ali, segurando a bandeira do meu desgosto, chata, como um incômodo que, se calado, podemos suportar a companhia. Meu amor tem sido rápido e rasteiro, me amo nesse momento mais que qualquer coisa do lado de fora. Não é isso, é que me entendo. Não entendo como podem me faltar com o respeito e virar as costas no meio de uma conversa. Como isso acontece? Meu amor é por mim, só. Nesse momento. E quero tanto amar outra pessoa, raios, zeus sabe que eu preciso. O que é prum signo regido por vênus nunca encontrar uma pessoa capaz de proporcionar um tranquilo e-vice-e-versa? Paz é uma coisa que não querem me dar. Pelamor. E agora você quer que eu te diga que te convido tanto porque te quero? O que mais você quer? Que eu detalhe minha evolução sentimental?, minha história sentimental?, como me tornei tão incrédula e insatisfeita?, que eu te diga o que quero com você? O quê mais? Porque nesse momento não estou me importando, nesse momento você me pergunta e eu te respondo quase tudo, sem isso de se importar com o que você acha ou o brilhantismo da sua tranquilidade. Sabe? Eu nem sei mais do que estava falando, nem sei se descarrilhei. Vocês ficam me fazendo ser essa pessoa agressiva pela qual me conhecem. E descobrir que Brasília fala de mim! hahaha Ai caralho, que cansaço. E putamerda, que cansaço dessas pessoas que te conhecem e não te conhecem, e que não se esforçam. Sério, o quê é isso? Ah, meu velho, amor próprio é outra coisa, e o meu nesse momento é altamente excludente.

27 de fevereiro de 2010

ah, sim

Entendi o que significa Vênus reger Touro.

23 de fevereiro de 2010

22 de fevereiro de 2010

20 de fevereiro de 2010

Many things just die. Ser inconformado é um defeito de fabricação, a insistência nunca foi o que mais atraiu seguidores, a estupidez sim. Estar cansado, seja cansado, deixe as coisas de lado. Incomodar-se é um incômodo, procurar é não achar alguma coisa, qualquer delas. A felicidade só faz sentido se você acredita nela, se não, coloca nela a calcinha pra fora e ela passa a ser só mais um super herói.

16 de fevereiro de 2010

eu queria propôr que

Não me querem ao mesmo tempo em que eu loucamente não me seguro. As coisas são sérias e eu sei, eu só queria propôr que o tempo parasse de empurar nossas costas e fizesse-nos passar do ponto. Em especial porque estou dando a volta na catraca várias vezes tentando voltar ao momento que a onda ainda vai se formar e eu vou poder estar no lugar devido. Mas eu acho que eu virei um pequeno monstro, ou um pequeno poço. Uma Casa do Terror: sem horrores de fato, mas com muito espanto e uneasyness. Como algo desnecessário; um teste cardíaco cedo, que num futuro talvez próximo trará a morte pelos pequenos traumas produtos dos constantes sustos. Se eu soubesse o que fazer, eu faria.

19 de janeiro de 2010

(19/08/09)

Gingerbell, how dear, liked me the best
Would always have great, great things to dress
I saw her only a little, well time was short
And I had to see another thousand really attentive whores.

17 de janeiro de 2010

Um dia, eu não sei se aconteceu com vocês, eu me perdi. Eu pensei que todo amor, toda aventura, toda a desgraça e tudo o que não existe fosse caber em mim, fosse fazer parte de mim, fosse dormir sob a égide do meu conhecimento. Tudo que viesse ao meu conhecimento estaria subordinado a ele, tudo seria menos que a minha consciência, tudo seria meu. Até o dia em que eu fui traída. Nada parou de trabalhar, meus nervos, meus músculos, meu cérebro, tudo continuou perfeito. Tudo ainda se enquadrava na perfeição que os gregos desenvolveram para que fosse possível viver. Até o dia em que não mais. Era algo que se encaixava em tudo, nas leis da físicas, nas leis do universo, no meu colo. Tinha voz de homem, ser humano, e se a cabeça era esquisita, é porque era da mitologia. E se eu não conhecia a mitologia, eu certamente já tinha ouvido falar dela. Era algo que era nada. Era menor que eu, era simples, era uma equação de aminoácidos, de poeira, de qualquer coisa. Era simples. Era tudo. Arranharia meu rosto, se quisesse, mas não queria, era maior que eu, extravasava meu corpo, era gigantesco, era uma dor nas costas. Todo o resto virou uma ratoeira sem ser. Minha cama, meu caderno, meu não acordar. Tudo não era mais meu. Havia, ao meu redor, a aura da minha submissão, dos meus joelhos dobrados, ainda que eu permanecesse em pé na fila longa da lotérica. Não era uma questão de beleza. Há anos a beleza jazia fodida num córrego sujo de uma cidade do interior. Filha de alguém. A beleza era nada, nem mais nome próprio. E me prostrei de joelhos, duros e doídos, à margem e mercê de um ser ridículo, franzino e feio, como um doente, na minha frente, vestido, mas com pouca roupa, com algo que poderia ser nojento. Com a cabeça baixa, deitei, dormi, nada poderia fazer a não ser amá-lo, deixar que passasse sobre mim tudo o que era, sua elevação, sua transcendência, e ele, pequeno, não sabia que era grande. E quando soube, seu choque de Deus era a coisa mais feia que se poderia ver, natural e humana, era um deus feio e cedo, um deus humano, impiedoso e voluntarioso, mas me tinha, e fim. Quando chorei, deus riu e disse, com sua voz humana retumbante, eu sei e sinto muito. Mas me amou, para sempre e muito, e queria morrer em mim, mas ia me ver morrer antes, e ia sofrer por me ver menor, ia sofrer por achar-se menor, ia-me ver ser despejado no esgoto com os ratos; e ia querer se matar.

15 de janeiro de 2010

Today's Reason To Drink

Eu estou terminando nosso relacionamento. Sozinha. Você não tem como me convencer do contrário; afinal, você sequer sabia dele.

9 de janeiro de 2010

25 dobras na cama

As coisas são todas excessivas sem ser nada. Eu abro a porta do quarto e espero ver uma barata entrar, e eu nem sou GH. Eu nem li GH. Tudo por aqui é excessivo, e o quarto é tão claro que eu pareço um doente mental. O abajur de bolinhas de gude é tipo um entretenimento ao tédio. E eu não estou entediada. Eu estou esperando uma grande catástrofe ambiental que não virá, e eu vou tremendamente me importar se ela vier; eu não quero morrer, eu não estou pronta para morrer e por mais que eu desgoste dessa madeira clara dos armários, eu não sinto vontade de arrancar e destroçar as portas. Eu poderia estar verdadeiramente calma, mas eu não cheguei lá ainda. Eu estava lá, agora estou no meio caminho entre lá e o que fica do outro lado. Eu estou no desfile de moda do IESB, fumando cigarros com Beto e Pi, pensando nas coisas erradas que eu pensava e fumando o cigarro errado que eu fumava. Gradações acima fazem tudo pelo sabor. Eu não me lembro de uma peça de roupa. E eu me lembro que no intervalo tudo pareceu errado, e as minhas razões ridículas, e eu era um amor como um escarro, eu estava na lateral do espetáculo, no acostamento, e ainda assim eu era um aconchego. eu tinha sido já, minha época tinha passado, eu ali era não como um leftover, eu era como um grão de arroz particularmente gostoso de se ver, como todos os outros. O grande ponto do "particularmente", sempre, é o particularmnte que também acompanha os outros que estão ali exatamente como você, vocês são a mesma coisa, e não deve ser ruim. Eu estou, pulando de cigarro pra cigarro, como numa câmera cinematográfica, fumando pelo nervosismo e pra parecer legal, na frente de um bar, namoros terminados, suspenses- suspenses não sei, o meu blazer que não sabia se ficava no ombro, se ficava na pele, se ficava nos braços, não sabia se ficava, se será se tava bom, e o cigarro terminava e começava outro e corria sob meus pés sem eu conseguir apagar e nada parecia legal, mas deveria. Todas as coisas mudavam, o semáforo ia vermelho verde amarelo as pessoas mudavam posições as pessoas faziam outras coisas mudavam circunstâncias mudavam disposições mudavam conversas mudavam de lugar e eu estava ali, o cigarro na mão, o cigarro no ar, o cigarro no chão, o pé no cigarro, o cigarro na mão, o cigarro no fogo, os olhos pra frente, os olhos pra frente e o blazer no ombro, o blazer nos dedos, o blazer nos braços, o blazer na pele, e essa porra de blazer será se tava bom, será que, A barata, não entrou, e eu não sou, gh. "O cinema é verdade, a história é mentira." "E malucou até duas da madrugada, sem achar furo." Quando olhaste bem nos olhos meus e o teu olhar era de adeus, juro que não acreditei, eu te agarrei pelos cabelos e quebrei sua têmpora na parede, no sustento da porta, eu te amarrei ao pé da cama e te alimentei do meu pijama . Bem agora nessa cidade pequena onde todos se conhecem. E aqui vem a barata. As salas de sexo estão todas vazias. No meu quarto há 237 lajotas.

7 de janeiro de 2010

Um ano que o tio morreu. Onde esteve o ano passado, velho!?

5 de janeiro de 2010

Quando eu não respondo é pior. Mas daí eu me esforcei e respondi.
=)
Se eu sou simples? Sei lá, já comprei vestidos mais complicados.