30 de maio de 2013

A atmosfera enxágua meus sonhos vigilantes. Sob o subterrâneo, sobra em vida o subcutâneo, a enorme vida do subcutâneo. Enxugam-se os anos, aqui está você! Animando os meus ânimos, acordando as noites sem sono, soniferando os dias momentâneos.
a tarde bate até virar noite, cai o véu, o som que chega chama de novo, quando novo, a novidade sorrateira, que me chega linda e gostosa, um nada agitado por entre as horas iguais.

26 de maio de 2013

15 de maio de 2013

mais uma vez você me assaltou agora com a novidade de voar entre quatro paredes. eu também tenho este costume acho o máximo, e acompanhada então esbarramos em cada coisa! que doutra forma teríamos dito obstáculos. Pois eu gosto sim de devanelevantar voo e ir indo, ir indo, esbarrar em você no infinito e o choque nos trazer aos lençóis mais uma primeira vez.

13 de maio de 2013

Enquanto o tempo passa vazio, invento mil e uma coisas para não atrofiar a minha criatividade. Em geral, enamoro-me em cada esquina por uma semana, depois na outra, outro romance, a troco, como dito, de escrever. Escrevo, escrevo, escrevo, sobre mim e mais nada, esvaio meus desejos em letras, apenas porque a tensão que há dentro de mim há sempre, como um traço da juventude mesmo. Invento mil ideias não porque careça vivê-las agora, mas porque posso, porque não tenho o que me ocupar a sensação, e porque o que me ocupa a sensação é tão pessoal que mesmo eu não vejo motivo em descobrir, e por isso traduzo-me em imaginações...
Por um pouquinho a menos quase eu não cheguei a saber, que era tudo artifício do desejo! Preciso prestar atenção! Tenho em mim tantos deles, estou privilegiando aquele grupo que por tanto tempo reinou! Eis que é difícil dar-se corpo sem pensar em fazer as malícias sentimentais que só um romance permite. As putarias que só a entrega cotidiana revela em sua ousadia de querer sempre mais. É este erotismo despudorado e voraz, que quer engolir longos tragos de veneno, que me vira e desvira e me leva aos lugares mais perigosos que a minha mente inocente pode pensar...

5 de maio de 2013

imagino-a

de costas, abre a geladeira. Procura algo que não sabe, mas sabe que vai encontrar. Se inclina, eu estou logo atrás, do início da sala, sentada em uma poltrona fofa que não consegue ser agradável como a visão das suas pernas de fora de um short simples, sem botões nem zíperes, e tem uma camisa por cima que lhe cai quase na barra do calção. Dá a impressão que poderia estar só de calcinha. Mas eu sei, por força de algumas horas, que ali não há nada que lhe cubra o que quero. Levanto, sigo até lá, e o corpo dela pela frente está gelado gelado. Ponho as mãos pelo início das coxas, onde já não se sabe se ainda é quadril, ela faz que vai fechar a porta, mas é deslise do desejo. Ela bota a mão sobre um pote de comida, percebe que não é isso que quer; eu escorrego meu juízo coxa abaixo tão devagar, já começo a ficar tonta dela, que dá tempo de ela olhar mais o leite, viu que não é isso, a manteiga, também não; virei a curva sem outra solução, como se o calor ali não pudesse fazer outra coisa comigo, ela tentou fechar uma perna na outra, mas foi sem querer. Abriu logo, não conseguiu fechar a porta e com a garrafa d'água na mão, inclinou todo o corpo entre o V da porta aberta do refrigerador. Abraçou a porta com o lado do braço o bíceps, se segurando de besteira de mim que já a segurava, segurei mais e puxei o corpo antifrigorífico, ela veio, e veio vindo, veio vindo esbarrou em tudo em mim, bateu o corpo todo de maldade, encostou bunda, costas, joelhos, panturrilhas, calcanhar, lordose, pulmão, escápula, bateu a nuca e o pescoço dobrou até sua cabeça deitar no pé da minha orelha, que ela judiou. Depois de me lamber, meus dedos atravessavam sua pele, que ela me deu a noite toda.

4 de maio de 2013

Sobre a sincronia (logo, a sincronização)

Ao separarmos as camadas de áudio e vídeo na ilha de edição, dissociamos a sincronicidade da vida… Tudo enfim parece despregado, e podemos compreender que viver é conseguir acompanhar ao mesmo tempo o que se vive e o que se quer dizer.