31 de maio de 2009

¿

... viu em dado momento seu outro eu sobrepor-se, e sentiu finalmente a breve inexistência de si.

Em relação ao canto e ao quê fazer com ele

fui escrevendo, escrevendo e escrevendo sobre isso e de repente tudo me pareceu louco e irrazoável, e achei que só dizer "se eu pensasse e fizesse uma coisa de cada vez, isso pareceria menos medonho e gigante" seria o bastante e o mais verdadeiro.

My plug in baby

Had I been born male, I know you realize how much trouble we'd be in.

27 de maio de 2009

not the nicest thing

quando na janela vizinha da frente à sua você vê uma menina fingir que está cantando no microfone e mais parecer que ela está pagando um boquete.
verso arremate:
Ou ela é realmente péssima atriz, ou meu caso é mais sério do que eu pensava.

25 de maio de 2009

pronto II

SIM!, eu estou em muita dúvida sobre o layout. pronto, drogas.

beijos

Às vezes eu tenho muito medo de que as pessoas que eu gosto muito façam uma senhora cagada comigo antes de morrerem ou antes de saírem da minha vida, a ponto de eu querer que não voltem. Aí eu penso que prefiro que, se for possível que elas façam (e sempre é, né? né?), que morram logo.

que me deixa muito e quase cansada

Há um amor meu por você que me
Há um amor meu por você que, eu não sei, me faz
Há um amor meu por você
Há um amor meu por você, imenso imenso, um amor oceânico, quem é você?
Há um amor meu por você mais dolorido que a ausência de
Há um amor meu por você que começa a escrever e não esbarra em letras cunhadas pelos homens para explicar as coisas que eles têm em comum. Eu e os homens não temos nada em comum. Eu tenho o conhecimento da sua existência e eles
Eu tenho o conhecimento da sua existência
Eu tenho a consciência da dor da sua ausência
Eu tenho, eu não tenho
Eu
A consciência de
de+a
Eu sinto sua falta depois de
eu te amo e
Há um amor em mim que
Há um amor por você em mim que me deixa cansada.

como um hábito católico, resquício de criação

Comprou um lenço de seda e, chegada em casa, esfregou com ele o assoalho, que era pra não se dar o direito de usar algo bonito que ainda fosse puro.

Essas besteiras que eu falo,

24 de maio de 2009

mande novidades

Roberta, como sinto sua falta. Sumiu, te deixei ir, te assassinei, te esqueci ou te deixei de lado. Como sinto sua falta. Daquela antiga forma ainda não consegui me apaixonar por você. Não é possível, eu sei, você sabe também, (mas) não é estranho? Sempre lembro que não fizeram palavras pra eu poder descrever essa nossa realidade e torná-la pública, eu sei que não é possível, e mesmo que você me diga que não faz nem sentido querer, sei que também tem curiosidade em saber como ela ficaria num papel, que forma teria e se teria essa mesma cor. Onde você está? Digo, em que pé, e como anda. Como sinto sua falta. Te desculpo por não poder existir, fique tranquila. Você me olha assim de cima, como um ente, como um espírito entrando nas coisas para me dizer o que fazer, o que ver, para me dar experiências que em vida não pode me dar. E por que não pode, por que não existes, Roberta? Mandaste um corpo com seu conteúdo só que autônomo, com cobras com outros nomes em sua cabeça de medusa. Roberta, como sinto sua falta. Meu amor imaginário, meu complemento imaginário, minha perdição imaginária. (E ainda assim não te quero.) Te esconderam numa gaveta muito bem guardada, te tiraram da minha vista e até tomei ônibus sem vaguear em suas memórias por muito tempo. Mas agora, pela noite e com um tempo meio gelatinoso que parece me englobar e abraçar, te encontro. Me lembro quando esse quarto era só balões e colchão, lixo e malas abertas. Agora com tudo arrumado tenho exponencialmente menos espaço, e você ainda ficou na Alemanha, naquela sala de estar meio escritório meio closet, naquela janela de cortina transparente e aquela manhã clara, aquele aquecedor branco, aquelas toalhas e a mesa cinza do computador. Você ficou lá com as putas de Garcia Márquez e as outras paixões que inventei para me manter. Naquela época você rodava e tomava ônibus, amava e dormia para trabalhar no dia seguinte numa empresa cujo nome eu ainda não havia inventado, para aquela vida medíocre que você tinha. Depois te encontrei numa boate brasiliense, só o nome, não o corpo nem os movimentos. E de então te colei no nome de Rebecca Borges, de família interiorana e bonita, que tem história de vida e é assombrosamente humana, que me sentou no topo de um prédio pela primeira vez e me ouviu falar de si porque, por mais que fale muito, fala menos que eu. Depois te perdi nos semáforos e na rotina de uma faculdade estranha, te deixei nos banheiros e não te vejo nos corredores, e talvez você esteja nas cartas de Tarot jogadas em sofás verdes, talvez você esteja nessas minhas gavetas desarrumadas. Sinto sua falta e você já não existe. Me deixou com um quadro, um quadro vivo, uma pintura, uma mistura de Magritte, Kandinsky, Delacroix, Schiele, Munch, Goya e todos os outros que ainda não conheço, entende a confusão que você fez? Me deu várias coisas e foi embora, e agora aparece, de leve e de soslaio, para mandar um aceno e matar as saudades de mim.
Beijos e carinhos,
meus

Pronto

Eu gosto muito de verde. Pronto, beijos.

15 de maio de 2009

bored in advance by tomorrow's tobaccoless hours

"That devastating omniscience! That noxious, horn-spectacled refinement! and the money that such refinement means! For after all, what is there behind it, except money? Money for the right kind of education, money for influential friends, money for leisure and peace of mind, money for trips to Italy. Money writes books, money sells them. Give me no righteousness, O Lord, give me money, only money.
He jingled the coins in his pocket. He was thirty and had accomplished nearly nothing; only his miserable book of poems that had fallen flatter than a pancake. And ever since, for two whole years, he had been struggling in the labyrinth of a dreadful book that never got any further, and which, as he knew in his moments of clarity, never would get any furher. It was the lack of money, simply the lack of money, that robbed him of the power to 'write'. He clung to that as to an article of faith. Money, money, all is money! Could you write even a penny novelette without money to put heart in you? Invention, energy, wit, style, charm - they've all got to be paid for in hard cash."

George Orwell, Keep the Apidistra Flying

13 de maio de 2009

2am e pah

quando fica assim muito tarde e eu ainda estou acordada e bate fome me dá vontade de fazer concretismo

bleh

Não tive, como ela, o sabor de ser o conteúdo das músicas de minha banda preferida. Não que fosse para si que as escrevessem, mas era ela que cantavam, soubessem ou não. Digo ainda que para seu próprio bem desconheciam sua existência, jamais pode ser bom que seu lirismo tenha presença física, que dirá que se mexa, rebole, converse e tenha um corpo já tão maldoso aos dezoito quanto o seu. Já aos quinze era responsável pelo desmoronamento de homens de 30, e aos doze enfeitiçava os que as primas de vinte e um não chamavam a atenção.

Encantou-me porque eu já não tinha o que fazer no fim da noite de sábado, quando os outros já não faziam sentido por excesso de copos. Pus-lhe numa conversa porque me parecia maldosa, e quis com curiosidade e deboche saber por que motivo poderia se dizer interessante além da boca e dos olhos.

Mexia com as mãos a mesa, o copo, os isqueiros, as cadeiras e os passantes. Não me respondia nada, me olhava, e por me olhar com seu par de olhos de menina se dizia ingênua. Por segundos, que não via passar, colocava seu par de olhos de mulher e sorria diferente, olhos e dentes em soslaio, e era como se mentalmente anotasse algo para pôr em seu diário de confissões e vitórias.

Natalie Portman's

Chequem "Natalie Portman's Shaved Head".
paz de cristo

7 de maio de 2009

...

Não tenho a mínima idéia de quê estou me convencendo. Não sei em que momento achei que girar em torno do próprio umbigo seria bom. Faço círculos lindos, maravilhosos. Concêntricos. Uma órbita magnífica para atrair a mim mesma. E no fim das contas ainda não me acho mais que metafísica e foricamente enfadonha.
Queria ver com clareza de que forma as coisas estão me afetando, queria ver no claro o que é que de fato estou tentando descobrir e arrumar. Vou saber ainda, acho, o que penso realmente e não pintá-lo de outra cor de acordo com o que o outro acha bonito. Mas e fazer planos? Sabe lá se conseguirei. Acho esse caminhar daqui pra lá de lá pra cá tão gostoso e certo, acho as coisas caminharem sem serem empurradas de um agrado quase de mãe... Mas vai ver - tenho visto -, eu desespero antes da hora. Por hora, agora, não estou indo pelo teste de mim mesma. O que quero e o qual será o novo caminhar? Essa coisa de colocar inícios em grandes momentos ou mudanças de tempo. De aliar mudança de tempo à grandes momentos.

Semana retrasada era outra vida. Retrasada ou passada, perdi a noção do tempo, já parece tanto. Completamente diferente. Completamente. Cem por cento. Quero saber com clareza o que essa mudança fez em mim. Se de fora estou esquisita ou distante. Acho que tenho estado elétrica. Frenética. Quero que isso acabe. Termino agora todos os dias pensando em quando será que isso vai acabar, quando esse novo momento será outro. Que se deve vir outra realidade, que venha logo. Não gosto de ficar no limbo se não sou eu quem conta as horas com êxtase e ansiedade. Conto as horas com o estômago, e vira e mexe com as bolsas sob os olhos. Tenho-as sentido contraírem involuntariamente, e às vezes acho os cantos dos olhos ardendo como se fosse chorar. De forma engraçada, estou sozinha. Estou porque quero estar. Ninguém mais me atinge nesse meu pedestal donde fico me pensando deus, tudo vendo, nada tocando. Minhas mãos estão estranhas, ganharam vida própria. Enquanto me abstendo de estar, pensar e realmente ver, elas caminham sem meu consentimento, sentem pele e cheiro, matam saudades vindouras, denunciam, além de tudo, que nunca sei bem me esconder. Também parte do meu osso da clavícula acordou para a nova realidade. O outro lado dela continua esnobe e sonolento, alheio a tudo isso. Não o invejo. Fico vendo esses últimos momentos desses corpos andando dessa forma pela UnB, e vou encontrando novos tipos de amizade por empatia aqui e ali. Coisas nunca antes feitas.

Outro dia lembrei daquela visão de eu recebendo um prêmio por qualquer produção audiovisual, sozinha, e elaborei um discurso pra ela. Pensei exatamente no que falaria. Soube, ao menos naquele momento, do sentimento do outro lado do mundo que não terá mais muito quarto se um dia ela vier. Pensei de novo se não faço grandes dramas e antecipações. Sou como um Shakespeare vidente, mas sem a enorme pica literária(pica mesmo, de pinto) - ou ao menos a capacidade de impressionar.

Estou elétrica. Afoita, atônita, atômica, estufetada. Estou calada; e falo muito para não me descobrirem. Falo muito sempre, anyway, é facil não ser descoberto. Estou surda também, às vezes simplesmente não ouço. Eu e Dena, pequena delícia de queijo, rindo para não ouvirmos, ou não nos absorvermos, ou não pensarmos. Nossa eficiência aumentando estrambólicamente; eu só quero que isso acabe. Acho que ela também. De repente o que era muito tempo é pouco tempo. Tudo é tão pouco tempo. Ao mesmo tempo é muito, podia tudo acabar logo. Por enquanto não começa nem termina. Ao menos se começasse, acho que estaríamos todos calados já, e seria mais simples e próprio.

Estou um pouco de gesso e há coisas que não quero ouvir. No momento acho que só quero ouvir mamãe, prestar mais atenção aos meus pais, tirar minha carteira de motorista, completar vinte anos, ir ao churrasco de Sociais, dormir um pouco e chorar logo essa porra.

p.s. de evolução: finalmente descolei o pejorativo de colocar pai e mãe no diminutivo

2 de maio de 2009