29 de janeiro de 2008

Sobre a paz letárgica característica dos filhos de nosso senhor jesus cristo

Não tenho muito o que falar. Posto por postar e pela saudade das palavras. Não tenho escrito muito. Deixei Roberta(malz betinho) um pouco de lado, deixando-a para ser criada em momentos de maior intensidade sentimental, já que minha decisão nos últimos tempos tem sido manter-me sóbria e estável.
Estou descobrindo os preços das minhas reações. Louca e intensa, morro na praia dos meus pensamentos todos os dias e sinto sede com mais frequencia que a chegada de novo carregamento de água. Calma e sensata, vivo sem a graça do desespero e anestesiada, esperando a cirurgia que sei que virá. Controlando meus pensamentos, vivo até o dia seguinte esperando o próximo; soltando minhas feras, acho sempre que nunca verei amanhã. Ainda assim, não sei me decidir. Será que posso?, penso. Será que consigo?, será que devo?, será mais fácil?, será mais proveitoso?, será mais saudável?, será? E, lógico, não há resposta. Não virá resposta dos céus, não há céus. Não virá resposta da terra, só há mar. Não virá resposta do espelho, estou reinventando-me.
Ridículo pensar o quanto penso no que já foi e no quanto estou sendo Joana-sem-braço, é ridículo. "A diferença é que ela tem uma vida, você não", ele acertou, sem jogar-me nada na cara. Posso passar, e passo, horas a conversar de lembranças e passados, a remontar cenários, figurinos, platéia. Posso descrever meticulosamente o sorriso da lagarta no chão ao me ver passar naquele dia de sol morno, respondendo ao meu. Posso rever gostos e relembrar o esquecimento deles, e posso rever esperanças e suas recriações, posso, lógico que posso. Argumentos velhos e frases feitas e coisas passadas e quadros na parede, tudo estático, pela falta de elementos. E é absolutamente curioso que eu consiga escrever e descrever tudo isso, tal o estado de letargia em que me encontro. Tão anestesiada estou que chega a ser interessante.
Peguei-me, outro dia, falando opiniões falsas sem perceber e perdendo o fio da meada, educadamente mantendo o fluxo de qualquer conversa. A cada dia vejo mais desgastada minha rótula, e gradualmente ponho-me de joelhos, sorrindo leve, sem prazer. Passo a mão nos cabelos, refaço um cacho, cansada. O olho se perde, bebâdo da cerveja por tudo esparramada. Os dedos se auto-estralam, não percebo, e a cabeça pensa literariamente mais uma vez a vida que não vivo.
Os prazeres são rápidos, rasos, fugidios, mas enquanto os tenho não me queixo, são ainda prazeres, lindos. Durmo embalada pela arritmia de dois relógios que, em tempo, cantam em ritmo de balada, acreditem-me, durante três deliciosos segundos. Depois fecho os olhos e sonho com rostos conhecidos, e ainda às vezes há desencontros. Acordo e planejo mais alguns anos de vida, belos e cansativos, e imagino lençóis de quaisquer cores, e na cama quatro pernas, além das de madeira.
A coluna está velha e range de tempos em tempos, e os planos de colunas de jornais são possíveis, mas não tão idealizados ainda. O nescau tem gosto e nome novos e por mim tudo bem, outro dia escolho-os eu. Estou paciente e inerte, feliz na sã e santa ignorância e vivendo a paz letárgica característica dos filhos de nosso senhor jesus cristo, amém.
O sono, assim, também chega mais rápido.

26 de janeiro de 2008

Sobre ela

"Seguia-lhe os vestígios para me familiarizar com os seus hábitos originais, mas não descobri os seus esconderijos secretos, os seus locais de repouso, as causas dos seus humores volúveis."
Gabriel García Marquez, Memória das Minhas Putas Tristes

24 de janeiro de 2008

A pergunta que não quer calar

"Ela, com desprezo, disse-me:
- Já pensou o que vai fazer se eu lhe disser que sim?"
Gabriel García Márquez, Memória das Minhas Putas Tristes

22 de janeiro de 2008

Hallo!

Segunda postagem da Alemanha!, aham, mas essa será mais decente que a ingrata e sucinta primeira, filha dos meus desvarios velhos mesmo quando há coisas novas para serem conhecidas.
Como outros blogs que as pessoas que frequentam esse blog já disseram, os teclados por alguns cantos da Europa possuem uma excessiva nudez de sinais gráficos, e é uma luta aceitar uma palavra que deveria levar cedilha ficar relegada a um mero "c". Além disso, o "y" fica no lugar em que conheco por ser a casa do "z" e vice versa, portanto, se eu escrever algo como "beleya", favor lê-la como deveria ter sido escrita. Dito isso, peco(lá vamos nós) desculpas pelas palavras horrorosas e ilegíveis que por acaso possam aparecer. Vale dizer, também, antes do texto propriamente dito, que nao entendo porque é que os teclados aqui possuem til se é impossível colocá-lo em cima das letras(só é possível escrever coisas como "n~ao", "s~ao" e afins).
O vôo de vinda foi bom e tranquilo, comigo dormindo todo o tempo e recusando-me a lanchar o que quer que fosse para nao gastar sagrados euros(sim, aqui, pelo menos em companhias low cost, paga-se o que se consome). Segui a velha regra do "dorme que o sono alimenta" e fui feliz até acordar pela milésima vez tentando ajeitar-me na cadeira com a barriga vazia - mae, se você ler isso, nao é que sou mao-de-vaca(consigo imaginar você dizendo "também nao precisa economizar assim, é só nao gastar com besteiras"), é que achei que poderia sobreviver até chegar ao aroporto e comer comida de verdade. A partir de determinado ponto do vôo, mesmo que tenhamos saído dum país de língua portuguesa e que muitos dos passageiros e eventualmente algum tripulante falasse minha língua mae, os auto-falantes do aviao(um boing que parecia pequeno para ser um boing) só falavam inglês e alemao, e, por sinal, demorou algum tempo para que eu entendesse que aquela segunda língua era de fato alemao, já que o comandante parecia fazer questao de falar o mais para dentro possível.
Desembarcando, no entanto, já nao havia como enganar-se de língua: o mundo gritava alemao. Li numa porta a escrita "drücken" e sobre isso a inscricao "push", e aprendi minha primeira palavra em alemao. Chovia em Berlin como nao acontecia dias atrás(nao é que chovia forte, é que, dias atrás, nao chovia), e tive que contentar-me com ver o Muro pelo vidro do carro e o Portal de Brandemburg sob um céu cinza, mas a euforia era incontrolável. O espírito, afoito e leve, via a Berlin Oriental e a Ocidental rasgarem a cidade em duas, e o carro entrou na auto-estrada(nao era uma autobahn) deixando as duas para trás.
Já no dia seguinte, viajamos à procura da neve, mas descobrimos que, de fato, tudo derreteu há uma semana. Passei por cidades de interior e vi a arquitetura tradicional alema, e a janela do carro, embacada, nao sei se condensava por conta da chuva ou da minha respiracao excitada de conhecer os campos verdes verdes, em pleno inverno, e as cidades pequenas neles plantadas.
Vi o horror de madeira onde amarravam as supostas bruxas para queimá-las em praca pública e passei os dedos pelas pedras das fachadas das casas, cujas datas inscritas sobre a entrada marcavam-nas mais velhas que meu país.
Fiz a loucura de sair de noite com o cabelo molhado, mas só depois de tentar secá-lo com todas as forcas sem ter de recorrer ao temido secador, e lembrei-me de mamae quando pensei no risco de ficar doente logo no primeiro dia, e tratei de enfiar um gorro na cabeca como me aconselhara a mae da minha amiga. Conheci bares e tratei de tomar minha primeira cerveja alema, uma das de garrafa, nao aquelas de copo(que tem meio litro), e, por mais que fosse muito boa e diferente das que já provei, mal consegui fazer com que o conteúdo chegasse à metade: deixei para os outros terminarem e descobri, por certo, que nao sou muito dada à cevada, o que absolutamente nao significa que nao vou provar aquelas de meio litro.
Comprei suspensórios e lembrei de Fritz, que ainda nao conheci pessoalmente, e depois gastei mais euros com outra bugiganga que só estrangeiro compra. Entendia brevemente o que era dito nas ruas: quando alguém pedia um cheeseburguer, uma coca, quando a rádio cantava alguma música de língua inglesa e quando lia targetas de preco. Aprendi a falar "eu nao sei falar alemao" depois de dois dias tentando, mas nao aprendi como se escreve(e é por isso que demorei dois dias: nao conseguia lembrar-me da pronuncia certa).
O sol saiu pela primeira hoje e achei nisso motivo para passear com menos roupa, e é lógico que passei frio. O sol, aqui, como dizem, é como luz de geladeira: ilumina, mas nao aquece. Caminhamos(eu e minha amiga) pelo parque, tiramos fotos e passamos frio, e voltei pra casa com a decisao de nunca mais sair sem gorro por aqui.
Nunca escrevi tanto num post e acho bom terminar por aqui, porque a memória lembra-se de coisas mais rápido que meus dedos, e meus olhos, espreitando aqui pelas cortinas vasadas, querem ir passear um pouco à luz -rara- do dia.
Tschüss! =D

20 de janeiro de 2008

Sobre fundamentos

Tenho exigências mil, eu sei, mas sao bem fundadas(para mim, lógico).

17 de janeiro de 2008

Querida Wikipedia,

Você deveria rever seus conceitos.
"Allan Kardec
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nota: Se procura o futebolista brasileiro, consulte Alan Kardec de Souza Pereira Junior."
Falei e disse.

15 de janeiro de 2008

Vem, que quebrou-me a lâmpada (Carta ao tolo)

É lógico que penso em ti. Não poderia esquecer-te nem trocar-te pelas quimeras que me consomem e pelas quais trocaste-me. Não posso permitir-me fugir com as mãos à boca pelas esquinas a gritar teu nome nos olhos, que essa terra nossa é feita de cegos, como nós, e ninguém me viria à porta contar teus segredos. Penso por que motivos não fostes com a donzela de metade de minha idade, não de meia-idade, como eu, como nós. Queria eu ter ido com ela, tão alva era! Penso por que trocaste nossos dias escuros pela água do mar, se ela faz-se também escura nas profundezas. Nunca nos levamos a lugares novos, como quisemos, por termos ânsias demais em nossas barrigas desnutridas. Nunca medimos nossas colheres de açúcar quando sentamos à mesa, um de frente para o outro, contando nossas aventuras e tudo que tivemos de passar e esquecer para estarmos ali. Nunca fomos de nós mesmos, apenas um do outro. Por que é então que vais como se soubesses o caminho ou como se houvesse algum? Não havíamos nós assumido silenciosamente que seríamos sempre nossos por não poder ter o mundo? Mas cospes teu mel no chão contando-me do meu fel, que era na realidade nosso. Era esse nosso amor de sapatilhas e colãs, pitadeiras vermelhas para não tocar com a boca o cigarro, cinta-ligas apertadas para manter nossas pernas rijas. Ora, louco, porque é que creste na alvorada de amanhã, se a de hoje já é corrompida? Nossos olhos meninos acostumados com o borrão escondido no fundo da xícará e quiseste tu vê-lo de perto, como se possuísse tino de cientista! Ora, amor, que loucura. Passo a ferro ainda tuas camisetas, caso queira encontrar-me naquele cais cinza todo nosso, como sempre foi de nós dois por ter sempre sido cinza. Penso que não nos dávamos com cores, e não acho pecado. Tolo fostes em crer que eu pintava ainda as unhas do pé no momento em que deixaste a casa: rancara eu as unhas e pintara a pele anos atrás, muitos anos atrás, todos esses nossos, pois cria ser isso que fosse manter nosso amor de colar, nosso amor colarinho-azul. E foi! Ora, querido, vais dizer-me que andaste às vielas da fábrica com meninas novinhas entre os dedos, brincando com a sorte(delas). Qual o quê! Jogavas dado e dominó aos domingos com outros operários, era essa tua aventura maior, teu achado grande na vida! E ainda que vos desse o dado seis chances, tinhas apensa e apenas uma em casa: eu que te esperava de avental, mãos lavadas e pratos à mesa, porque a vida é mesmo dura para um só. Agora do que é que te alimentas? Estou preocupada, não há mais muito espaço para guardanapos presos em golas de camisa hoje em dia. E se te sujas, quem vos limpa, amor, agora que já não escovo teus dentes com minha escova de cabelo? Ora, querido, estás já na idade de te sentares comigo na varanda, como aos vinte anos, que ainda não eram os dourados, mas haviam de ser...(!) Deixe-te de besteiras, Antônio, e lembra-te que ponho a mesa ao entardecer.

HS 180

Ele: e você? quando vem? não para a internet, mas sim pro seu devido lugar?

14 de janeiro de 2008

- Qual a sensação de enganar-se a si mesmo?, o ar de vitória o traindo pelos olhos e o deboche sutil, que tentava reter, escondido em cada palavra.
- Nobre.

11 de janeiro de 2008

(W)holes

Penso que estou cansada de mim, daí tento me ver como os outros me vêem, daí desisto, daí me acho cansativa e inconsistente, e sou. Cansei assim de umas coisas de mim, e olha que não estou olhando para o intemperismo de Portugal. Não, assim, cansei de algumas coisas de mim que sempre foram desse jeito e que o "exílio" - e estou cansada de falar nele e de sentir sempre a mesma coisa quanto a ele, o que mostra que até gosto da minha inconsistência, gosto, mas me canso dela e também, por trás dela, sou coerente, sou sim, gosto de ser - simplesmente trouxe à tona. Penso como alguém pode gostar de mim, penso mesmo, e lembro que poucas pessoas já se declararam apaixonadas por mim, mas isso não é uma crise amorosa pessoal. E também confundo brincadeiras e declarações de amor, na minha cabeça mesmo, não na prática, mas porque na prática não existem mesmo, senão eu confundiria também. Não estou querendo me mostrar sozinha e solitária não, isso não é sobre isso, mas talvez seja também. Mas cansei assim de um pouco de mim. Essa merda tá rimando, porra, não é pra rimar.
Às vezes quero que as conversas desemboquem para análises do meu comportamento, porque acho lindo quando feitas pelos outros, mas outro dia fizeram e não gostei, me enfezei. Não com quem fez, mas comigo mesma, porque me enfezei. Ainda assim, gosto de análises alheias sobre meu comportamento, pra eu poder retificar-me depois, para poder justificar-me. De uma forma estranha, gosto de me justificar. Mas, enfim, poucas conversas desembocam nisso, porque dou pouca importância aos meus desejos, pareço ser masoquista nesse aspecto. Tenho muito desejo reprimido, bastante mesmo, e isso está me corrompendo. Essa é a parte ruim; a parte boa é que está me preenchendo, o que na realidade é uma parte ruim também. Já me apaixonei outras vezes pela ilusão criada pela minha cabeça, já amei minhas quimeras, ando amando. Me incomodam realidades que quero viver e que vivem sem mim, mas muita coisa vive sem mim e eu vivo sem muita coisa, daí invento-as na minha cabeça para viver com elas.
Há coisas que não posso falar e queria mesmo, e queria quebrar algumas coisas e montar outras tantas. Daí me expresso vagamente, mas pareço estar sendo tão clara, tão clara, e para alguns estou. Mas não posso ser clara para todos, nem posso ser bonita para todos, nem posso ser bonita para quem me quer bonita, mas sou, mas há quem não veja. Mas cansei de mim, porque sou feia. Sou vil, mesquinha, mentirosa, cansativa, chata, pedante, petulante, convencida, altiva, modorrenta e áspera. Se quiser ir embora, vá, eu consigo colar-me e sobreviver, sempre, sempre consegui. Para a vida ser melhor, lance menores expectativas, ouvi dizer. Mas eu não sou fraca. Não, eu não sou fraca porque escolho não ser, mas sou intimamente e solitariamente, como são todos, ao menos uma vez na vida. A diferença é o que se mostra, o que se quer mostrar, e não sei porque isso é um crime. Talvez você estivesse mais bravo consigo que comigo, mas irritou-me também, estou irritada, estou irritada porque também cansei de mim, como você. Mas não vou largar-me, como você pode fazer.
Cansei de procurar minhas imperfeições, achá-las aos montes e não conseguir retificá-las, mudá-las, transformá-las. É preciso interatividade para isso, e interatividade não há no momento. Cansei de não procurar minhas imperfeições e achá-las aos montes; cansei de esconder minhas imperfeições e elas serem achadas por outros aos montes; cansei de mostrar minhas imperfeições como se isso me tornasse mais digna. Cansei de amar fora do plano real, de almejar fora do plano temporal, de labutar fora do plano salarial, cansei de esperar fora do plano espacial. Cansei de viver fora. Quero exilar-me. Talvez tente a experiência. Devo morrer. Depois reapresento-me ao mundo.

Sobre fim de paciência

Estou perdendo a paciência com o blog: está impedindo demais minhas postagens e confundindo demais minhas letras e não aceitando demais minhas correções.

10 de janeiro de 2008

Nada mais

Ainda me lembro que eram em 00h17 no visor verde do VHS em 17 de maio de 2003 e tocava Dido na televisão da sala, no canal de música da Directv, quando eu fiquei em pé e fiz menção que ele ficasse também e me abaixei e tirei as almofadas entre nós, tudo tão mecânico, e cheguei perto dele, e encostei meus lábios nos dele como queria havia tanto tempo, tudo tão mágico. E era o dia seguinte quando ele ficou do meu lado na sala sem saber o que dizer, nosso amor embaçando nossa amizade. E era outro dia naquele ônibus azul quando ele tirou a mão do repouso sobre minha coxa, onde estivera entrelaçada na minha, e secou na calça do colégio o suor do nosso nervosismo imaturo. E outro dia quando me mandou as cartas terminando nossa paixão. Dia seguinte quando eu queimava as cartas e incendiava a paixão em mim. Outro dia quando brigamos definitivamente, fim de amizade, para sempre, e chorei como se fosse o fim de tudo, como se eu só tivesse conhecimento da televisão a cores e agora me deixavam com a preto e branco. E outro dia quando ele me carregou nas costas pelas fileiras assombradas dos eucaliptos, eu com medo do que poderia haver no chão e nós com medo do que poderia haver no escuro. Outro dia quando peguei seu calção e camiseta emprestados para entrar na piscina. Outros dias. Outro dia quando lhe mostrei a Esplanada, o Itamaraty, a Praça dos Três Poderes, a secura, esse cerrado, e quando corremos para não perder o grupo de excursão às 16h30. Quando ele me recriminou com o olhar por ter tocado a mesa onde a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, mas é que não pude me conter. Outro dia quando lhe dei meu pingente e ele disse que nunca tiraria. Outro dia quando marcamos de nos encontrar depois, de eu almoçar na sua casa. Sua namorada que eu conheceria e seus planos e suas promessas e esperanças e tudo começaria de novo, recuperando aquele ano em que mal nos vimos, e sua mãe renovaria as esperanças que sempre nutriu de que ficássemos juntos. Outro dia quando caminhávamos pelas ruas com outros amigos, rindo, gritando, conversando, vivendo, mas ele já não vive mais. Já não o vejo rir alto dos meus contos, nem me olhar expressivo, tentando comunicar-se. Não vejo seus olhos que misturavam verde, mel, fel, fome. Ele já não cochila com a cabeça no meu colo, não me consome. Não me repreende por não tentar ser melhor. Não afaga meu cabelo tentando me consolar do que não pôde ser. Não se mostra mais empenhado cozinheiro, decorador, desenhista, poeta, amigo, irmão, filho, estudante, pessoa. Não me ensina o que leu nos livros nem confere gabaritos de prova. Não me escreve cartas contando suas paixões, como antes, não escreve poemas contando de si, como antes, não escreve nos olhos nossa história mal acabada, como antes. Não arquiteta planos, nem arquiteto virará, como queria. Não se senta à mesa do jantar, não se senta ao meu lado na sala de aula, não se senta no meu colo. Não me liga mais em festas, não se preocupa mais com estética, não engrandece coisas simples. Não joga meu jogo, não acarinha meu rosto, não vê meu esforço. Não me abraça de manhã, não acalenta esperanças vãs, não me diz seus sucessos. Não promete reencontros, não aparece senão em sonhos. Não fala disparates, não toma liberdades, não ataca crueldades, não abranda mais saudades.
Não faz mais que me preencher, nem faz mais que me esvaziar por ter ido sem voltar.

6 de janeiro de 2008

Prismas

Marias, Anas e Marianas.

5 de janeiro de 2008

Pode-ser-retrospectiva não reconhecida - ainda as renego

É claro que não, e também respeito as mentiras que conto para mim e também esqueço como é meu quarto no escuro, porque a gente esquece por medo da certeza e por incerteza da real certeza que se prega acerca da certeza. E é lógico que quero e que isso é risco de perdição, mas tudo é, mesmo que não se acredite, e talvez então a força esteja no acreditar. E espero, de pernas cruzadas e de pernas abertas os dias passarem, mas procuro mesmo vivê-los também, porque há muito espectador que vive de opinião da Globo mesmo que assista Record. E por vezes não tenho, ora bolas, essas certezas que outros têm e não acho feio achar o feio bonito. Também não me acho bonita sempre, até porque "sempre" é irreal, ou surreal, mas conheço o que o espelho não vê. E às vezes sou mesmo meio masoquista, geralmente para conhecer meus limites ou/e por achar que posso superá-los. O esfolar-se sempre ensina algo, e o band-aid também. Também deixo os outros se aproximarem e também me fecho sem porquês aparentes, e às vezes eles não existem mesmo. Tenho medos banais, ridículos, bizarros, típicos, muito típicos de mim. Ainda assumo coisas vagarosamente e algumas pouco pronuncio: geralmente espero pelo olhar que poucos saber dar para fazê-lo. Mas geralmente muito verbalizo muito ou tento fazê-lo e por vezes falo o oposto, mas acerto numa medida maior. Também acho irmãs e irmãos bonitos, e concordo na teoria com Matheus Nachtergaele e Renato Russo, mas sou um balde de incertezas ainda, e teoria nem sempre bate com prática, mesmo que os astronautas, com o nascimento da TW Hya b, tenham acabado de confirmar a teoria de Laplace e Kant acerca do nascimento dos planetas. E também tenho pensado muito e feito nada, como sempre foi, mas agora incomoda-me ao extremo não encontrar-me. Também tenho recebido cobranças sutis e leves, discretas, pacientes e que não se acham cobranças e que gosto, mas preciso fazer-me entender, preciso fazer entender que sou minha prioridade no momento, e machuco os outros e a mim por isso. Quero, lógico, rabiscar mais, em muros específicos e em quaisquer muros, mas quero menos que antes encontrar lógica nisso - ainda que frequentemente a encontre -e procure-, mesmo que ela seja exatamente sua própria inexistência. Não acho bom nem ruim a perda da tara pela lógica, mas, se perguntada, diria que acho ruim. E preciso ainda de mais coisas e de mais eu, mas vamos com calma: cresci horrores esse ano que passou, mas também não é fácil.

Curiosidade, Miopia, Beto e Goiânia

Muito necessário comentar. Muito curioso, mesmo que os envolvidos não achem.
Vou caminhando, vira e mexe, de blog em blog, pelos caminhos que eles próprios traçam uns entre os outros por coleguismo, amizade, afinidades ou diplomacia e politicagem e vou vendo uns que gosto mesmo, outros que me vejo num post, uns realmente interessantes, etc etc etc e, lógico, como sei que vou querer passear por essas mesmas páginas depois, viram link na minha principal. Mas daí vou prestando atenção num post e noutro, num comentário aqui, noutro acolá e percebo: "porra, é amigo de Goiânia do Beto também!" - e as origens onde fui buscar o endereço eletrônico não poderiam resultar noutra coisa[poderiam sim]: Betinho, você é a maior ponte para blogs bons que há! Nunca vi!
Miopismos foi um cujo nome sempre me agradou. Por alguma razão abstrata, nunca tinha entrado nele[até tinha, uma vez, mas com pouca atenção], da mesma forma como nunca tinha entrado no perfil daquela amiga da Maria sendo que a via di-re-to no scrapbook dela. Entrei, once, no perfil dela, com pouca atenção também, como em Miopismos da primeira vez. Talvez seja hora de voltar lá. De qualquer forma, resolvi entrar em Miopismos mais uma vez, confiando que a primeira fora realmente um gastar de olhos, já que não estava com mente para muita coisa que não fosse meus próprios sentimentos, experiências e palavras.
Muito, muito bom. E eu tenho, realmente, que ficar muito impressionada com esse círculo de amigos goianos do Beto. Só não fico mais porque tenho um círculo excelente, eu diria, no mesmo nível, só não digo porque nem conheço direito o grupo dele nem tenho apreço maior por outro grupo de amigos que não esse meu. (Ficou confuso? Lê de novo) Enfim, a surpresa ao ler Miopismos -chega, cansei de hiperlinkar-, para além da constatação de que minha primeira passagem por lá foi realmente cega, foi ver que não só ele, o autor, é um mais um amigo de goiânia do Beto, mas que ele também é do mesmo exato círculo e é amigo não só dos autores doutros blogs, mas das personagens que freqüentemente comentam neles. Oi, vamos para de invadir tudo, por favor?
Todos os links de todos vocês levam ao blog de mais um amigo do mesmo círculo?! Gente!
Mentchyra, eu gosto. Desde que sejam interessantes os blogs, não é? Betinho, conhecer a Lyanna, pelo visto, não foi nem remotamente suficiente, né? Oras, mas é lógico que não.

correção nº 1: imperfeita

eu estou colocando data e hora manualmente. why?

Problema resolvido.

Estou me achando super foda
teste

1 de janeiro de 2008