25 de agosto de 2026

Como é difícil saber o que dizer. Escrever nesse momento foge completamente ao controle da narrativa, da estética, da beleza, do tino artístico, do controle. Fujo ao controle. Intensamente. As mãos envolvem algo que se expande tanto pelos dedos que parece que a oprimimos mesmo ao tentar sustentá-la. Uma enorme força de dentro para fora se impõe avassaladora e parece que nem sou eu quem escolho as palavras, elas vem, vão, ficam, insistem, rasgam todo o assoalho bem envernizado sobre o qual tenho pretendido caminhar, o qual tenho mantido. De repente questiona-se tudo, como numa profusão de raios em todas as direções, como infantil que somos, incontroláveis, muito mais imprevisíveis do que julgávamos aos quatorze anos, muito mais próximos aos contos que líamos e pareciam hipérbole de sentimento, lirismo, exagero, exaltação. Viver é essa exaltação, esse arroubo, esse susto, esse espanto. Por que estratégia mental conseguirei me convencer a desver? E agora, que é chegado o momento em que não quero me convencer? Em que não quero desver? Não recusar, não lutar contra, não negar, não caber. E agora? É tudo ao mesmo tempo possibilidade e ilusão, explosão e escorrimento, sublimação e vento. E agora? Agora nada. Agora tempo, agora espaço. Agora. Sem ontem, sem amanhã. Agora. [12/11/2025]