10 de agosto de 2026

Não adianta mais investigar os rabiscos, vasculhar as suas fotos na surdina das minhas madrugadas, no canto dos meus olhos, nas esquinas do desejo. Não adianta mais reunir o conjunto da sua obra, as suas referências, estimar os seus sonhos, os seus anseios, os seus sentidos. Não adianta mais fabular os encontros, as palavras, os olhares. Não adianta esperar o toque. Não adianta imaginar as correspondências. Muito tempo passa. Confundo a minha coragem, que não vem, com as frases estimulantes dos horóscopos mais ousados, das previsões mais confiantes, dos espetáculos celestes mais raros e impactantes. Mas na terra vago por aí, atordoada de sentimentos, amassada de vontades, embaralhada de destinos, rasgada de fraqueza, desconfiança e incapacidades. Exagero o tom, tanto da solidão quanto da fé. Rascunho outras versões de mim, pra que ao menos no texto eu possa alcançá-las. Mas no mais... aqui estou.

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