Não adianta mais investigar os rabiscos, vasculhar as suas fotos na surdina das minhas madrugadas, no canto dos meus olhos, nas esquinas do desejo. Não adianta mais reunir o conjunto da sua obra, as suas referências, estimar os seus sonhos, os seus anseios, os seus sentidos. Não adianta mais fabular os encontros, as palavras, os olhares. Não adianta esperar o toque. Não adianta imaginar as correspondências. Muito tempo passa. Confundo a minha coragem, que não vem, com as frases estimulantes dos horóscopos mais ousados, das previsões mais confiantes, dos espetáculos celestes mais raros e impactantes. Mas na terra vago por aí, atordoada de sentimentos, amassada de vontades, embaralhada de destinos, rasgada de fraqueza, desconfiança e incapacidades. Exagero o tom, tanto da solidão quanto da fé. Rascunho outras versões de mim, pra que ao menos no texto eu possa alcançá-las. Mas no mais... aqui estou.
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