23 de julho de 2026

Quando chego aqui, esta noite, sei que não caminhei a lugar algum, mas tive as portas abertas por um vento qualquer, ou pela extrema fixidez do mundo, de onde nada vinha me encontrar. Quando vem assim a noite, sei que basta escrever com os dedos, sem a mente, pois eles vão dizer o que eu tento esconder. Sei que posso aos olhos deixar embotar, embaçar, embaralhar, pois em mim as palavras se ordenam por si, como amigas, como amantes, a se encontrarem através de mim. E eu testemunho esse bailado simples e lindo e lúdico de ser eu sem intermediações, sem crenças, sem sentimentos, só comigo sendo, sem ser vista por mim sendo. As horas se entrelaçam no momento fugaz em que a testa é a mente e a mente é a testa, em que o desejo sou eu e eu sou o desejo e ninguém mais está errado apenas por sentir, por desejar, por afoguear. Mas eu, voltando lentamente, vou pondo defeito em tudo.

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