Às vezes, no escuro, mesmo em plena luz do dia, correm ao meu redor as crianças da criatividade e se vão tão rápidas quanto vieram, deixando como que uma sombra de prazer, a sugestão fugidia de um caminho, a impressão de uma ascensão a lugar nenhum, mas a aqui mesmo, como um outro mundo na curva proximíssima de outro elétron, de outro fóton, de outra de mim. Nesse sopro de vida sopra a mesma vida que o agora, apenas ligeiramente diferente e completamente outra. Sopra um sussurro de nada, onde tudo está contido. Tenho a suave impressão de que era possível agarrar esse instante criativo, essa fagulha, mas parece, em muitos dias, que é preciso a disposição certa, exata, de não prestar atenção, prestando, de não entender o sentido, entendendo, de não perceber, se deixando levar aqui ficando. E aí sim o mundo se abre dentro de mim ou eu dentro dele, e continuamos sendo o que somos, um-o-outro.