Não tem jeito. Algumas coisas é melhor deixar como são. Por mais que a saúde pareça o tesouro da vida, como o próprio ar a que se respira, ainda assim os entorpecentes são tão fundamentais quanto. O peso de haver alma exige entorpecentes. De repente em um sábado tranquilo, com sol, vento e passarinhos, aparece a alma. Plena, como lhe é tão próprio, de incertezas. Plena de mim. Como se esquiva desses ágeis pensamentos, velozes, pungentes, precisos? Como me protejo de mim, se aonde vou estou? Como fazer planos para o futuro se o presente já é tão incerto no que está sendo e no que poderia ser? A inconstância como condição demanda o ópio como opção. Demanda um olhar enviesado, torto. Demanda alguns excessos. Eu, se transbordo, que faço com o incontido, com o aflorado, com o exposto? Que faço comigo? O espectro de possibilidades é exatamente como um prisma, tudo é a mesma coisa, apenas mais visível. Tudo sendo, ao seu jeito, junto, bagunçado, confuso e um tanto quanto mágico, feérico. Que bagunça. Quantas ilusões deliciosas. "A vida é sonho". Eita, que zona. Escrever é um jeito de existir.
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