4 de agosto de 2010

voltando lá atrás, trazendo à tona eu existir

Não é o que você pensa, o redemoinho dos sentimentos não é o preto e branco ou os vários tons de tudo que você resolve traçar. Suas verdades não são verdades, por mais que seus olhos, que pretendem não julgar, julguem. Nem sua naturalidade, madura, maciça e maturada, já velha, um tanto quanto passada, consegue enganar. Há tantas outras teias que você não pode conceber; como as mil e uma que não posso, a realidade na minha cabeça é capaz de costurar somente algumas, em sua linha lógica incompleta que você pensa pouco esforçada. E por mais que as escolhas digam muito, você escolhe vê-las no seu bom e velho espectro de pó, guardado, melancólico, martirizador e solitário.
Cá na Rua do Pão, meu amor por ti é precisamente o mesmo, e a minha necessidade, ah, se você soubesse dela... Não vá inventando os finais de todas as histórias.

1 de agosto de 2010

zodíaco em zonas

A possessividade do taurino, anuncio agora - e havia sangue -, se costura entre várias coisas que agora não quero nomear. Seu fanatismo, favoritismo, e vários ismos exagerados que põem algumas coisas a perder, ao menos a cabeça. A cabeça do taurino também, e com fumaça, buscando as mil razões para incômodos que só existem porque ele não está com a mão na coisa em si. A inveja também, e vários medos e dores, reais ou não reais, a construção da personalidade nas erratas controladas, e ser artista no nosso convívio...
[a terminar]

31 de julho de 2010

15 segundos para o pousar da mosca

Quando tudo está quieto, ou um ruído só entre os carros e as pessoas, o mundo se abafa até que eu termine minha fala com você, e então tudo faz sentido, e tudo é lindo, tudo é meu e eu gostaria que você fosse o fim da minha rua, a minha rota final até o final das minhas rotas, eu gostaria que você fosse o meu traçado e já de ter te encontrado em julho de 2010 acertei, e os meus poros inominados cumprem seus princípios entre o céu e a terra, e vão comigo para o nada em suspensão.

16 de julho de 2010

Pensar no fim é uma síndrome

Pensar no fim é uma síndrome. Mas a cabeça que ela mantinha logo do lado da porta, imersa em formol, era feia demais. Algumas prateleiras acima, algumas outras olhavam pra mim, pra todos os lugares, um pouco confusas, deslocadas, soltas, descabeçadas. Ela me dizia, depois de ter fechado a porta atrás de si, o casaco sobre o sofá, um ar de conversa comum, que não é assim, a gente pensa livre, pensa solto, vai vivendo, pára de pensar no final, pára, que não faz bem e pode fazer mal, por mais que pra você pareça não fazer. É que pensar no fim cria umas barreiras sem que você veja, e aqueles formóis olhando pra mim, como que apontando pra mim, como se tudo tivesse assumido vida e estivesse me perguntando e aí, e aí, camarada, e aí? Tinha uma loira que devia ter sido bonita, agora era só um pouco desbotada, uma cara de nada, a tentativa de expressão de acaso, ou um pouco de sofrimento, eu não sei o que ela queria mostrar. Apontou brevemente para a porta com a cabeça - é lógico - mas eu não entendi, acho que era para o regulador de temperatura do apartamento. Enfim Julieta continuou falando sobre não dever perder tempo, entregar-se, cutucou sem querer a prateleira das cabeças, foi tirar um pó do vidro nomeado Caio, mas, enfim, acabou dizendo que eu não deveria me preocupar e que todo namoro deveria ser como quando tínhamos 10 anos e achávamos que iríamos casar.

30 de junho de 2010

?

É que eu não posso fazer filhos enquanto você está na casa de Aquário, eu lhe dizia com a cebola me fazendo chorar, aquele almoço lhe levando a crer que me sofria ter de esperar para fazer barriga, e ela crendo na sentimentalidade da minha faca mal amolada. É que com a sentimentalidade dos seus poros alcoolizados, a sinuca refletida nos seus olhos, os seus saltos em ângulo V da bebedeira de ontem à noite, eu pensava com a salada o que é que seríamos de nós três, enquanto eu não trabalhava e ia lá saber quem colocaria sorriso naquela cara de joelho. E eu fiquei pensando enquanto o eclipse não vinha e eu esperava a sombra da Terra, eu pensei no sonho de Goya, nalgumas plantas de Monet, eu pensei no monótono e eu fiz tanto sexo com aquela cebola dilacerada. Com o choro compulsivo, o Pixinguinha no canal da tv a cabo, agulhas de costura tão feias na sua mão e alguns animais de estimação, a sinuca refletida nos meus olhos, o tecido de feltro azul e algumas cartas, búzios, o caralho a quatro, a minha paixão, eu lhe entreguei o anel, sorriu, tudo faz tanto sentido, tudo pode ser eterno

23 de junho de 2010

Eu também, sentada aqui em cima, primeiro andar tranca na janela, não estou altiva como um parnasiano. Triste e um tanto quanto cansada, um tipo diferente de carência fica esbarrando no vidro, sem embaçar. é frio não por solidão, nem medo, nem desapego, nem nada, é frio por motivos esquisitos, talvez brasília no inverno e a insuficiência ou falta de paciência dos meus edredons que nunca param. Cair na armadilha é um pouco de fazer-se companhia. Alguns movimentos redondos e outros copos despropositados de um álcool que não vai fazer efeito. A terra e girar sem tontear. Ficar calado põe em dúvida o respirar. Quando tudo baixa, tudo pára, tudo vira mínimo e não sai fumaça de nenhum lugar a zero graus. Frios cinzas deixam tudo suspeito, mesmo o sol. Quatro quadrados, quatro quadrados, quatro quadrados. Camas altas te fazem se sentir uma criança. Não tocar os pés no chão faz sentir-se uma criança. Literal e metaforicamente. E o frio vira só uma besteira, um ventilador ligado, uma incapacidade estrutural, instrumental, da mesma forma que o bolero de ravel não pára.

22 de junho de 2010

a mulher que falava coisas

Tenho de você um medo que, se existisse, existiria. De que vá embora, que perca, que tropece, que eu permaneça sentada no bar enquanto você recolhe suas chaves e vai embora, que você permaneça sentada no bar enquanto eu recolho minhas chaves e vou embora. ..., do fim do amor por nada. Tenho medo da eternização do amor também. Terminar e voltar; tenho medo da hora do desfecho consensual, da sua pele dizendo adeus com choro, do rebuliço do enterro. O enterro é um rebuliço calado, como estar preso na própria cabeça e ser mudo, como Stela do Patrocínio muda. E eu tenho medo de sermos humanas e nos desentendermos, e daquele ponto que ainda não conhecemos em que concordamos em discordar, e que desconhecendo não sabemos se é essencial. Tenho medo das essencialidades que não descobrimos, e portanto não descobrimos. Ademais, tenho medo todos os dias de não ter medo nenhum; e não tenho.

13 de maio de 2010

27/04 potencialmente entendido em 13/05

tudo cresce e, somado ao burburinho dos aviões, a joaninha.

Minhas mãos, ser mulher só, os computadores alugados

Eu estou às voltas; meu vestido dança. De manhã a zona do quarto é a mesma da sala, e nenhum dos espelhos mostra o corpo inteiro a não ser o do corredor. Muito exposto. Tudo roto, as roupas todas sujas abrem a boca do cesto. Abrir a boca na sexta; de manhã e de noite, preguiça e pornografia, um quê de tesão e tédio, sem que a ordem justifique a grafia. As contas num quadrado. Sentada pelada como uma criança no meio da sala, o chão sujo, o armário das comidas também, e a fome dá tristeza. Como uma criança sem pai: um adulto com problemas. Virar mulher é para alguns o problema repetido do seguro estúpido. Todas as coisas podem ser estupidificantes. Mas, quieta, sente falta do amante em rodas. Só a lataria prata entende, e a solidão é fria como a partilha impossível. São engraçadas a roupa suja, a digital na porta e dois molhos de chaves distintos. Várias contas e uma espera de super heroísmo. A menina nem gosta das próprias calcinhas. A solidão é um êxtase velado. Uma demência de mulher madura. Uma loucura de sanidade sanitária. Meu banheiro está sujo. Minha mãe e meu pai. E de todas as coisas, quero tempo para fazer as sobrancelhas. Sou uma menina.

26 de abril de 2010

Minc Nível Médio

que definhe com o tempo
diz que o tempo definha
então quem sou eu além de poeira e cimento
suspensa no ar no tempo errado do vento?
(correr a pé ao invés de voar
é então como correr sozinha.)