13 de maio de 2009

bleh

Não tive, como ela, o sabor de ser o conteúdo das músicas de minha banda preferida. Não que fosse para si que as escrevessem, mas era ela que cantavam, soubessem ou não. Digo ainda que para seu próprio bem desconheciam sua existência, jamais pode ser bom que seu lirismo tenha presença física, que dirá que se mexa, rebole, converse e tenha um corpo já tão maldoso aos dezoito quanto o seu. Já aos quinze era responsável pelo desmoronamento de homens de 30, e aos doze enfeitiçava os que as primas de vinte e um não chamavam a atenção.

Encantou-me porque eu já não tinha o que fazer no fim da noite de sábado, quando os outros já não faziam sentido por excesso de copos. Pus-lhe numa conversa porque me parecia maldosa, e quis com curiosidade e deboche saber por que motivo poderia se dizer interessante além da boca e dos olhos.

Mexia com as mãos a mesa, o copo, os isqueiros, as cadeiras e os passantes. Não me respondia nada, me olhava, e por me olhar com seu par de olhos de menina se dizia ingênua. Por segundos, que não via passar, colocava seu par de olhos de mulher e sorria diferente, olhos e dentes em soslaio, e era como se mentalmente anotasse algo para pôr em seu diário de confissões e vitórias.

Natalie Portman's

Chequem "Natalie Portman's Shaved Head".
paz de cristo

7 de maio de 2009

...

Não tenho a mínima idéia de quê estou me convencendo. Não sei em que momento achei que girar em torno do próprio umbigo seria bom. Faço círculos lindos, maravilhosos. Concêntricos. Uma órbita magnífica para atrair a mim mesma. E no fim das contas ainda não me acho mais que metafísica e foricamente enfadonha.
Queria ver com clareza de que forma as coisas estão me afetando, queria ver no claro o que é que de fato estou tentando descobrir e arrumar. Vou saber ainda, acho, o que penso realmente e não pintá-lo de outra cor de acordo com o que o outro acha bonito. Mas e fazer planos? Sabe lá se conseguirei. Acho esse caminhar daqui pra lá de lá pra cá tão gostoso e certo, acho as coisas caminharem sem serem empurradas de um agrado quase de mãe... Mas vai ver - tenho visto -, eu desespero antes da hora. Por hora, agora, não estou indo pelo teste de mim mesma. O que quero e o qual será o novo caminhar? Essa coisa de colocar inícios em grandes momentos ou mudanças de tempo. De aliar mudança de tempo à grandes momentos.

Semana retrasada era outra vida. Retrasada ou passada, perdi a noção do tempo, já parece tanto. Completamente diferente. Completamente. Cem por cento. Quero saber com clareza o que essa mudança fez em mim. Se de fora estou esquisita ou distante. Acho que tenho estado elétrica. Frenética. Quero que isso acabe. Termino agora todos os dias pensando em quando será que isso vai acabar, quando esse novo momento será outro. Que se deve vir outra realidade, que venha logo. Não gosto de ficar no limbo se não sou eu quem conta as horas com êxtase e ansiedade. Conto as horas com o estômago, e vira e mexe com as bolsas sob os olhos. Tenho-as sentido contraírem involuntariamente, e às vezes acho os cantos dos olhos ardendo como se fosse chorar. De forma engraçada, estou sozinha. Estou porque quero estar. Ninguém mais me atinge nesse meu pedestal donde fico me pensando deus, tudo vendo, nada tocando. Minhas mãos estão estranhas, ganharam vida própria. Enquanto me abstendo de estar, pensar e realmente ver, elas caminham sem meu consentimento, sentem pele e cheiro, matam saudades vindouras, denunciam, além de tudo, que nunca sei bem me esconder. Também parte do meu osso da clavícula acordou para a nova realidade. O outro lado dela continua esnobe e sonolento, alheio a tudo isso. Não o invejo. Fico vendo esses últimos momentos desses corpos andando dessa forma pela UnB, e vou encontrando novos tipos de amizade por empatia aqui e ali. Coisas nunca antes feitas.

Outro dia lembrei daquela visão de eu recebendo um prêmio por qualquer produção audiovisual, sozinha, e elaborei um discurso pra ela. Pensei exatamente no que falaria. Soube, ao menos naquele momento, do sentimento do outro lado do mundo que não terá mais muito quarto se um dia ela vier. Pensei de novo se não faço grandes dramas e antecipações. Sou como um Shakespeare vidente, mas sem a enorme pica literária(pica mesmo, de pinto) - ou ao menos a capacidade de impressionar.

Estou elétrica. Afoita, atônita, atômica, estufetada. Estou calada; e falo muito para não me descobrirem. Falo muito sempre, anyway, é facil não ser descoberto. Estou surda também, às vezes simplesmente não ouço. Eu e Dena, pequena delícia de queijo, rindo para não ouvirmos, ou não nos absorvermos, ou não pensarmos. Nossa eficiência aumentando estrambólicamente; eu só quero que isso acabe. Acho que ela também. De repente o que era muito tempo é pouco tempo. Tudo é tão pouco tempo. Ao mesmo tempo é muito, podia tudo acabar logo. Por enquanto não começa nem termina. Ao menos se começasse, acho que estaríamos todos calados já, e seria mais simples e próprio.

Estou um pouco de gesso e há coisas que não quero ouvir. No momento acho que só quero ouvir mamãe, prestar mais atenção aos meus pais, tirar minha carteira de motorista, completar vinte anos, ir ao churrasco de Sociais, dormir um pouco e chorar logo essa porra.

p.s. de evolução: finalmente descolei o pejorativo de colocar pai e mãe no diminutivo

2 de maio de 2009

It looms.

23 de abril de 2009

O blábláblá medroso da reviravolta dos falsos manetas e/ou a tentativa de usar sutiãs 92

Toma o meu violão,/ que apesar do samba que não sei fazer
Tens minha mão,/ improdutiva e clichê,
Que se diz feliz de lhe contar as histórias das coisas que (/com as quais me) fiz [continuaçãoemaberto]

sentimentally tuna

(Eu)Sentimental como atuns; realmente, imagino que eles sejam realmente melodramáticos e terminem relacionamentos com uma facilidade quase doentia, estilo uma grande loucura massificada, que logo então não é loucura. Também atuns me parecem criaturas blasés. Não, sério, imagina um atum feliz - não, um atum é blasé. Vai pensando, imagina que você é um atum, não te parece razoável simplesmente abrir mão daquilo que não é agradável e olhar com cara de tranqüila e desinteressada bosta? Quer dizer, aquilo cuja agradabilidade cai agora para os menos de cinqüenta por cento. E, sei lá, "we were fish once, long ago, before we were apes" dito de uma forma muito certeira (e certamente desprovida de qualquer comprovação científica - que também, vamos lá, inventa o que quer por não ter mais o que fazer) pode ser engolido, ou ao menos ignorado sem que quem o disse perca qualquer gradação de credibilidade. De qualquer forma, sentimentalmente pertencente à classe dos peixes, ouvi me dizer que fosse embora, realmente, que tivesse os ovos em outro lugar e que pouco se importava se deles fosse feito caviar. Quer dizer, não sei se caviar é feito de ovas de atum, acho que não, mas o caso é que a cria seria tida em qualquer lugar que não o habitual, e, se já é estranho sair assim de casa sem mais nem menos, imagine com filhos! Pois bem, mala, cuia e ovas saíram de casa e foram sabe-se lá para onde, nem se morreram é conhecido. Daí você tira não que é desumano(? eram peixes. enfim.) mandar embora antigas e calorosas fotografias, ou ainda aquecê-las ainda mais jogando-as ao fogo, hehe, mas que pode ser razoavelmente justificado se inclusive outra classe de animais o faz com sobriedade e segurança! É, pois é! Pois que, então, sentimentalmente um atum, é possível fazer de tudo e mais um pouco, inclusive sentido com um texto desse. (14/01/09, 20:14, etc e tal)

15 de abril de 2009

Teve coragem, pegou a arma e finalmente deu-se o lendário tiro na boca sobre o qual falara por anos.

25 de março de 2009

Brianstorm

Nothing is happening here, and you can smell the embarassing smell of brains being eated. (I'm trying to sell it before it sells me.) I'm embarassed. Lying on a table where Jesus, the Pope, my family and Mother Theresa examine the curious content of my maniacal mind I study their eyes with that typical pain in the corner of them, bringing pain to the brain apart from that that is already being injected in it by the horrid vision of their overwhelming fake implicit kindness. All is still, and the piece of wood I am is not pretty. Every now and then there awakes the underlying fear of having run too much, for too long and too far away. That bugging sensation of being at bay, that tickling, that light sensation in the stomach which is the heaviest I've felt. All this we've been sitting upon is to fall apart. And I am standing still, still I'm standing, still I'm staying and they do not understand why. I've lost the whole pack of sanity and the previous controlled life. I'm nowhere now and no one wants to find me anymore apart from that body, that other one, that keeps this one going. And I'm being quietly, educatedly raped and torn in this small untransposable world, these immense destroying criminal needs, this fire and this life surrounded by water. And your so wanted hand lies in its pocket, your so appropriate pocket, everything in a pocket, while mine masturbates, I so inopportunetly masturbate, everything here masturbates and I cannot touch her vicious thighs for I do not want to do so. And from time to time I try to convince myself I want it just so, if i manage to do it, I have something I want. I'm all sold out, worn down and gone, and you do not want to stand my stains, I stain, I understaind. Meanwhile(it is, trully, a mean while) I sit and pray, then I remember I do not believe in God and I preach, for it fits better. And I try to want things I can have, but I do not want them, and I'm not that good a storyteller to distract myself.

23 de março de 2009

Geraldo Azevedo em Hard Rock, por que nos gostamos?

Não sei. Acho de certa forma estranho. Um pouco disforme e certamente não se ajusta ao corpo como se fosse natural. Parece Geraldo Azevedo em Hard Rock, ou Foals por Elba Ramalho. Entende? Há uma certa quietude e algo como uma noção de ridículo que não se faz de fato. É só como se se espreitasse e se mostrasse possível, mas não é. E há uma tristeza de alguma coisa que poderia ser, sem ser aquela tristeza das coisas que poderiam ser e não são, só uma tristeza daquilo que poderia ser e não é. Não tristeza exatamente, mas talvez também. Fico nos achando ridículos, sinto muito, você não tem nada com isso. Acho-nos dois bonecos como Barbies, mas sem formas humanas. Dois tamagoshis, e minha hora de comer é a sua de dormir. Minha cama é também algo como um quadro um tanto escuro e violento na sua mente calma. E seu quarto sendo pra mim uma casa, ou eu brincando como se pudesse ser, vira e mexe é. E eu vou pedir desculpas mais uma vez pelos exageros e faltas de timing, mas não é que me arrependa, apenas me perturba perturbar-te, e de repente você parecia na paz celestial dos filhos focadamente dedicados de Cristo, e eu parecia mais uma vez uma filha despreocupada e livre de Lúcifer. Por que pareço entrar sempre de repente e me encostar com demasiada força nos pilares que vão sustentando tudo?, esse nada sustentado, esse Nada sustentato, por que sustentamos esse Nada? Que tantos motivos temos para não jogar fora nossa água fria? E por que é que vamos confiando com demasiadas partes dos nossos corpos na nunca irrecuperabilidade da distância dos mesmos? Enquanto conto o tempo, não sei o que mais conto, e não conto nada, nem nas horas vagas, a não ser as horas vagas e por quanto tempo o serão.

2 de março de 2009

'Thanks for the prestige, you rats.'