27 de maio de 2008

Desejos e estímulos

E quando eu estiver bem cansada, que ainda haja amor pra recomeçar.

20 de maio de 2008

Roberta amando-me pela noite

Eu deitada de lado na cama confortável por conta do meu cansaço, dormindo como se houvesse sido embalada por mamãe, e Roberta vem e me acarinha o rosto com dedos de seda que não imaginei, e me olha carinhosa, amorosa, quase devota, semi-apaixonada e quem sabe agradecida, e quando me mexo como se fosse despertar, vai embora rápida e leve como um suspiro, e me deixa a alma como se eu tivesse sonhado.

Sobre o espaço das vinte e quatro horas

É lindo quando você pode sorrir satisfeito enquanto o dia ainda não chegou ao fim.

15 de maio de 2008

I'm freaking out

because I can't be two at the same time. But although I want to be two at the same time, I do not want to be two at the same time.
And although this doesn't change my love, it changes everything else.
And I could never be more sorry than that.

13 de maio de 2008

Sobre a vida em double-decker buses e fora deles

Que sentada donde está, na minha diagonal traseira, lê sobre meu ombro os caracteres da sua língua mãe ordenados de tal forma que não fazem sentido, e quando bate as esferas cansadas sobre Brazilian News, reconhece algo que não códigos que não entende. Olha para a esquerda possivelmente, lançando o olhar para o mundo que ainda gira do lado de fora do ônibus, e o ônibus também gira, e sua cabeça e a minha, mas ela acha normal. Estranho acharia se nada girasse. Olha para o verde que se estende de nós até o Palácio de Buckingham que não vê mas que sabe onde está e observa alguns corpos esticados sobre a grama e as cadeiras de sol dispostas como se também elas estivessem aproveitando o calor atípico que Londres tem visto na última semana. Entra na rotatória e lança um olhar corriqueiro para o Arco de Wellington, sem achar grandes coisas porque é difícil, maldição, espantar-se continuamente com o que não é mais novo. Abre um jornal já um pouco amassado só por existir, como ela, e escaneia mais uma notícia denunciando as peripéricias de Amy Winehouse enquanto ainda, ou já, era madrugada. Se surpreende de leve que ainda chamem isso "news" e vira a próxima página, cuidando para não invadir o espaço do desconhecido ao seu lado, que olha pelo vidro como se o ônibus fosse mais uma prisão e como se sentar-se à janela fosse sua única forma de conseguir "um lugar ao sol", mesmo que, como dito, Londres tenha feito clima de verão. Ao meu lado a programação da semana caminha pelos dedos de Mariana e descobrimos que há algo brasileiro amanhã, roda de samba ou qualquer coisa que tenha o gosto de casa, e me pergunto porque todos procuramos por pedaços de familiaridade estando imersos no desconhecido, e a resposta parece óbvia, mas não é. Santa Cruz quer autonomia da Bolívia, diz o jornal no meu colo, e mesmo que a escrita dele seja pobre, me serve de algo. O pensamento voa - nunca descobri como prendê-lo - e de repente me encontro confabulando planos de vida, a maioria, se não todos, satisfazendo minha procura por completude. Penso em tudo que deixei para trás e estou deixando com um sorriso que não sai e reencaro algumas escolhas e acho bonito que as queira abraçar agora, acho bonito que as queira abraçar de todo, é sempre tão fácil crer que os braços não são longos o suficiente para dar a volta completa em algo. Tento esticar os pés e lembro que estamos sentadas na primeira fileira de bancos e não há espaço suficiente para o meu expansionismo. O pescoço ainda dói da ousadia de ter dançado como se meu corpo estivesse acostumado sábado à noite. E é lógico que repetiremos doses, não há forma melhor de embriagar-se. Chelsea passa à minha direita; Caetano Veloso e Gilberto Gil já viveram exilados aqui, marinheiros sós, e hoje o lugar é dos mais caros de Londres. Em casa são quase oito e o sol ainda dança lá fora, repetindo doses há anos para perpetuar nossa embriaguez.

7 de maio de 2008

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Gosto de dar nome às minhas falhas, na maioria das vezes as chamo de idiossincrasia.

Colarinhos azul-bebê

Não sei por que é que nos vestimos de gala e sentamo-nos à mesa de jantar pomposos e com o ar mal disfarçado, ornamentado de colares de pérola, do nosso tédio crônico. Devíamos é sentarmo-nos nus sob mesas de bar corrompidas pelos nossos desejos não realizados que nos apodrecem a carne e que dirá o espírito e trocar os travesseiros dos gansos assassinados para o nosso bel frívolo prazer pelos seios - e pelo amor de deus que não sejam castos, que de tão castos estamos todos castros - rosados, negros, amarelos, pardos de nossas mulheres pagãs amaldiçoadas pelas saias e cabelos sujos dos seguidores de olhos fechados. E pobre destes seios se nos fornecerem leite!, o que queremos é uísque. Fodam-se os saltos altos e as pulseiras coloridas das mulheres esguias de capas de revistas de salão. Queremos o corpo com carne das moças sem maquiagem e das velhas sem lifting e as lingeries pornográficas dos sex shops mais baratos da cidade. Não queremos lingerie de forma alguma, queremo-las nuas como as dunas maliciosas do Saara e queremos suas coxas uma de cada lado do corpo do cavalo. Queremos homens sem gravata, sem maleta, sem provisões, sem futuro, sem o gel no cabelo cortado no salão mais caro da redondeza. queremos cabeleireiros que não sejam gays pela regra e paguem suas prostitudas com laquê. Queremos orgias de olhos abertos e amores trocados por diversão. Queremos baralho na mesa e queremos blefar só pelo tesão. Romperemos as blusas pelas golas e as camisas pelos botões e amarraremo-nos com cintos que não sejam de castidade.
Mas de manhã e no horário da missa usaremos batina.

6 de maio de 2008

Destacando

"What a different society we would have if morals were exclusively about our consideration and tolerance of others, instead of the manner by which we have an orgasm."
Colin Spencer, Homossexuality - A History

4 de maio de 2008

"Life happens"

It's almost unfair to be apart from him with this amount of love inside me.