9 de dezembro de 2007

Do bom velhinho e da Coca

No início da história do Natal cristão, quem distribuía presentes durante festividades natalinas era uma pessoa real: São Nicolas. Ele vivia em lugar chamado Myra, hoje Turquia, há aproximadamente 300 anos AC. Após a morte de seus pais, Nicolas tornou-se padre.
As histórias contam que São Nicolas colocava sacos de ouro nas chaminés ou os jogava pela janela das casas. Os presentes de natal jogados pela janela caíam dentro de meias que estavam penduradas na lareira para secar. Daí a tradição natalina de pendurar meias junto à lareira para que o Papai Noel deixe pequenos presentinhos.
Alguns anos depois, São Nicolas tornou-se bispo e, por esse motivo, passou a vestir roupas e chapéu vermelhos e barba branca. Depois de sua morte, a Igreja nomeou-o santo e, com o início das celebrações de Natal, o velhinho de barba branca e roupas vermelhas passou a fazer parte das festividades de fim de ano.
Até o final do século XIX, papai Noel era representado com roupas de inverno, porém na cor marrom. Em 1881 a Coca-cola realizou uma grande campanha publicitária vestino Papai Noel com as cores vermelha e branca (como as de seu rótulo) e acrescentou-lhe um barrete vermelho adornado por um pom-pom branco. Tal campanha fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo.
[As fontes são várias e variam os dados, mas essa foi a mais sucinta que achei na minha busca aprofundada de 5 minutos. Ah, e lógico, uma pitada de Wikipedia no final, último parágrafo.]
Nota: Em Portugal, Papai Noel é chamado "Pai Natal". Tem mais lógica que o nosso, quer ver:
Na França:
Pai = Père; Natal = Noël
Papai Noel = Père Noël
Na Inglaterra:
Pai = Father; Natal = Christmas
Papai Noel = Father Christmas
Na Itália:
Pai = Babbo; Natal = Natale
Papai Noel = Babbo Natale
Whatever, sou mais Papai Noel. hihi

7 de dezembro de 2007

Let's

- Do you love me?
[three seconds silence]
- thank God, let's go naked.

6 de dezembro de 2007

Sobre esperas

Quando você some por muito tempo, sem dizer para onde e sem dar sinal de vida por o que parece uma eternidade, relegando-me a viver na certeza intangível(tão tangível quando você está presente) da nossa afeição e na ausência da concretude da sua voz, da sua presença, do nosso esforço, da nossa carência, da nossa insistência através desse tempo e desse espaço por vezes tão incrivelmente inimagináveis, e vem depois falar-me naturalmente, como se houvéssemos conversado ontem mesmo sobre como andava a semana e a rotina, por vezes sinto que posso sacrificar minha felicidade e minha vontade de falar consigo para sacrificar também a sua, para frustrar seu desejo de ouvir de mim alguma coisa, de sentir minha presença e reabrandar a saudade.
Mas calma, algumas coisas ficaram mal explicadas. Não quero que você saia com a crença de que quero controlar suas idas e vindas, que quero sempre manter rastro de onde você vai e quanto tempo vai demorar, que estou atrás de saber sempre seu paradeiro e de manter-lhe sob minhas vistas. Não é isso. Mas entenda a tenuidade de tudo pra mim. Também não é que duvide das certezas que criamos, não, não é isso. Não acho que uma ou duas semanas vão fazer esquecer as roupas que rasgamos para chegar a esse estado tão(na medida do possível) seguro de sentimento. Mas entenda, por favor, ou ao menos tente, que não tenho nada nas mãos, nem tenho meios de me assegurar para si, de assegurar minha companhia, de fazer sua rotina ter a minha presença mesmo que eu esteja ausente. Tento tanto, porque me é tão essencial, conquistar-lhe a cada dia, em cada conversa, cada olhar, cada confissão, porque pra mim é tão isso que mantém tudo real e importante e duradouro e seguro todos os dias.
E estou mesmo ausente. E os custos são tantos, você sabe. E não tenho como mudar isso. Essa condição será essa condição até a volta, e a volta está mais próxima a cada dia que passa, e gosto disso, e você gosta disso, e esperamos e torcemos, mas a minha insegurança é quase tão irremediável. Não gosto de ter segurança quanto ao sentimento dos outros, mas isso num sentido de que não gosto de ter a crença de que são imutáveis, de que são já tão enraizados que resistirão ao intemperismo de tudo, e os intemperismos são tantos. E quero brigas também. Discussões e revoltas e testas franzidas e tentativas de fazer-se entender e depois paz. Quero aquele cotidiano que vivemos e o que não chegamos a viver. Mas posso esperar. Porque isso é tão maior.
E posso esperar que você faça o que tem que fazer, pelo tempo que precisar, e posso esperar sua ausência quase completa voltar a ser presença parcial. Posso e vou esperar, mas não é simples, nem é fácil, nem é prazeroso, nem é tão tranqüilo como seria bom que fosse ou como faço parecer.

5 de dezembro de 2007

Sobre estética

A aparência desse blog é muito erudita e quadrada? Estou pensando nisso...

deveria ter sido dito antes que

a citação entre aspas de Sobre sua respiração e todo o post de ma petite fille, à exceção do título, são de Roberto Murilo (Putz,,,) e do filme Amélie Poulain, respectivamente.

4 de dezembro de 2007

ma petite fille,

Sans toi, les émotions d'aujourd'hui ne seraient que la peau morte des émotions d'autrefois.

Sobre medo

Tenho tanto medo que minha antecipação e minha euforia e minha imaginação e minha precipitação e minha ânsia sejam a ruína de tudo que ainda não foi.

3 de dezembro de 2007

Sobre sua respiração

"seria agradável deitar a cabeça no seu peito e simplesmente ouvir os ruídos e sua voz baixa enquanto o quarto está escuro."
consigo imaginar, ainda, como cúmulo da perfeição da calmaria e da completude, sua respiração erguendo e deitando o quarto e seus dedos, arrastados, rabiscando meus cabelos e acidentando-se na minha nuca.
e você, que tem dúvidas se isso é para si, ainda me pergunto como é que as tem.
e você, que não sabe que isso é para si, ainda me pergunto se um dia saberá.

1 de dezembro de 2007

Sobre mim, como todos os anteriores

A escuridão escondida no fundo dos olhos, quase por trás da retina, que é para não ser vista nem por si mesmo, mas já está dentro de si. A gota de limão no corte do lábio e o fechar de olhos forte depois disso, para fazer passar o azedume que se engole noutras ocasiões. E de gota no lábio, o limão agora já está na garganta, e até hoje não entendo como é que, estando na garganta, ele impede a lágrima de cair dos olhos. O corte no mindinho feito com a folha A4 astuta, rápida e decisiva, bem na altura em que a junta dos ossos faz dobrar a pele e apertar o machucado. A folha A4 que deveria conter a carta que eu lhe escreveria, mas que já é mortal por si só, sem meus escritos, quanto mais com minhas palavras viciadas, vis e viscerais. E as vísceras já cheias de limão e o cérebro temeroso da verdade dessa frase, e temeroso da exposição ao sol, que faz tatuar tão profundo as marcas das escolhas. Minha alegria é meu cansaço, como diz uma das possíveis interpretações do que Adriana quis dizer, porque meu cansaço é minha certeza de resistência. E que tão ridícula é a resistência daquilo que foi escolha própria. Caminhos tantos e tão cruéis, tantos e tão realizadores e o acaso, nossa metafísica, e nossa intersubjetividade, nossa metafísica. Caminho tanto e chego sempre ao mesmo endereço, do lado de cá pra quem me repudia, de lá pra quem bem me quer. Na realidade, nem caminho tanto, vou mais de ônibus e metrô, sem me meter na vida dos outros e sem dizer bom dias e, quando dizendo-os, não esperando retorno. E cada um no seu microcosmo sentado do lado de quem pode ser seu salvador, mas está mais perto de ser quem o pregará na cruz. E as mentes que se esquecem que somos todos homens e todos homo por todos sapiens. Mas somos todos brutais, mais que macacos e mais que leões, mais que as divisões e as barras das celas, mais que as ruelas e os becos, que ainda para alguns servem de abrigo. Mas somos todos desabrigados pelos outros e todos de roupas rasgadas e caras com máscaras porque todos tememos a beleza não idealizada e não exagerada, a beleza que não se leva para cama no fim da noite, a beleza que não se vela no fim da vida, mas perdura nos olhos de quem a descobriu sem querer e não sabe onde guardar. E nossas mãos seguras nas bordas dos bancos e nós que vemos os bandos que se cruzam sem ser ver. E o excesso da falta do que sustenta e do que dá sentido, e a falta dos velhos vestidos e de tirá-los aos poucos como um dia não se previu. E a lembrança da secura do tempo e a vivência da secura das pessoas.

Revolta

Alma que sofres pavorosamente
A dor de seres privilegiada
Abandona o teu pranto, sê contente
Antes que o horror da solidão te invada.
Deixa que a vida te possua ardente
Ó alma supremamente desgraçada.
Abandona, águia, a inóspita morada
Vem rastejar no chão como a serpente.
De que te vale o espaço se te cansa?
Quanto mais sobes mais o espaço avança...
Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.
Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia. Vinícius de Moraes